Dicionário de esquadrias · seção 9 de 13
Fachadas de alumínio e vidro: sistemas, componentes e obra
Fachada é a esquadria que deixou de caber num vão e passou a vestir o prédio inteiro. O vocabulário muda junto: entram o cálculo de vento, a ancoragem na laje, a junta que precisa se mexer e a obra feita pendurada. Esta seção separa os sistemas que o mercado costuma misturar — fachada cortina, pele de vidro, structural glazing, unitizada, stick e grid —, nomeia as peças e explica os termos de projeto e de obra que aparecem no memorial e no contrato.
35 termos em 3 grupos
Sistemas
- fachada cortina
- Fachada cortina é a fachada leve de alumínio e vidro pendurada na estrutura do prédio, que passa contínua pela frente das lajes em vez de ficar apoiada entre elas. Não carrega o edifício: leva só o próprio peso e o vento, que as ancoragens passam para as lajes.
- pele de vidro
- Pele de vidro é a fachada cortina em que as colunas e travessas ficam do lado de dentro e o vidro, em quadros, cobre tudo por fora. De fora o prédio parece uma superfície contínua de vidro, com os perfis discretos ou escondidos.Página completa: Pele de vidro (structural glazing) →
- structural glazing
- Structural glazing é o sistema em que o vidro é colado ao quadro de alumínio com silicone estrutural, sem baguete nem capa por fora. É a colagem que segura o vidro contra o vento, e por isso ela é feita em ambiente controlado, com produto e largura de cordão definidos em projeto.Página completa: Pele de vidro (structural glazing) →
- fachada unitizada
- Fachada unitizada é a fachada feita de módulos prontos — quadro, vidro, vedação e ancoragem montados na fábrica — que sobem fechados e se encaixam um no outro na obra. Leva o trabalho para a fábrica, onde há controle, e encurta a montagem no prédio.Página completa: Fachada unitizada →
- fachada stick
- Fachada stick é a fachada montada peça a peça na obra: primeiro as colunas, depois as travessas, depois os vidros ou os quadros. Exige menos fábrica e menos logística que a unitizada, mas depende mais da mão de obra e do tempo de andaime ou balancim.Página completa: Fachada unitizada →
- fachada grid
- Fachada grid é a fachada cortina em que o alumínio aparece por fora: capas sobre as colunas e as travessas desenham uma grelha na frente do vidro. O vidro é preso por pressão, entre o perfil e a capa, e não depende de colagem estrutural.
- fachada ventilada
- Fachada ventilada é o revestimento — ACM, porcelanato, placa cimentícia, pedra — fixado numa subestrutura afastada da parede, com uma câmara de ar entre os dois. O ar circula por trás das placas, tira calor e umidade, e a água que passar pelas juntas escorre sem chegar à parede.Página completa: Fachada ventilada →
- fachada semicortina
- Fachada semicortina é a solução intermediária entre a esquadria no vão e a fachada cortina: os quadros são fixados pavimento a pavimento, e um fechamento passa pela frente da laje para dar a leitura contínua. É o caminho de muito prédio que quer a aparência de cortina com obra mais simples.
- spider glass
- Spider glass é a fachada de vidro fixado por pontos: ferragens de aço inox em forma de aranha prendem o vidro temperado por furos nos cantos e o ligam à estrutura. Não há perfil em volta do vidro, e a junta entre as placas é fechada com silicone.
- fachada suspensa
- Fachada suspensa é a fachada de vidro em que as placas ficam penduradas pela parte de cima, em vez de apoiadas embaixo. O vidro trabalha tracionado pelo próprio peso, o que permite panos altos, como os de átrio e de loja, com pouca estrutura aparente.
- fachada entre vãos
- Fachada entre vãos é o fechamento em que a esquadria vai do piso ao teto de cada pavimento e fica apoiada entre as lajes, que continuam aparentes ou revestidas por fora. Cada andar é independente, e a laje interrompe a fachada — é o contrário da fachada cortina.
Componentes
- coluna (montante)
- Coluna é o perfil vertical da fachada, que vai de uma ancoragem à outra e recebe o vento de toda a faixa de vidro ao lado dela. É o perfil calculado: a altura entre lajes e a carga de vento definem a profundidade e a inércia que ela precisa ter.
- travessa de fachada
- Travessa de fachada é o perfil horizontal que liga uma coluna à outra, apoia o vidro e divide o pano em módulos. Carrega o peso do vidro que está em cima dela, e por isso a flecha da travessa é conferida no cálculo junto com a da coluna.
- ancoragem de fachada
- Ancoragem de fachada é o conjunto que prende a coluna ou o módulo à laje: bracket, chumbador ou inserto, parafusos e regulagem. Leva o peso e o vento para a estrutura e ainda deixa a fachada se movimentar com a dilatação e com a deformação da laje.
- presilha
- Presilha é a peça que prende o vidro ou o quadro à coluna e à travessa por pressão, apertada por parafuso. No sistema com capa, fica escondida debaixo dela; na pele de vidro, funciona também como segurança mecânica para o quadro colado.
- capa externa
- Capa externa é o perfil de acabamento encaixado por fora, sobre a presilha, cobrindo os parafusos e a junta. É ela que desenha a grelha da fachada grid, e pode ter formato e cor diferentes do perfil de dentro.
- quadro colado
- Quadro colado é o quadro de alumínio com o vidro já colado com silicone estrutural, pronto para ser pendurado na fachada. A colagem é feita na fábrica, deitada, em ambiente limpo, e o quadro só sobe depois do tempo de cura do silicone.
- módulo
- Módulo é a unidade que se repete na fachada: a medida entre eixos de coluna e entre travessas ou, na unitizada, o painel pronto que sobe inteiro. É o módulo que define o tamanho do vidro, o aproveitamento da chapa e a quantidade de peças iguais da obra.
- spandrel
- Spandrel é o trecho opaco da fachada, na frente da laje, da viga e do forro, entre a faixa de visão de um andar e a do outro. É fechado com vidro pintado, serigrafado ou painel, para esconder a estrutura sem quebrar a leitura de vidro.
- shadow box
- Shadow box é a caixa fechada montada atrás do vidro do spandrel, com uma chapa ou painel pintado no fundo e isolamento por trás. Dá profundidade ao trecho opaco, que de fora fica parecido com a área de visão em vez de parecer um vidro chapado.
- fire stop
- Fire stop é a selagem corta-fogo no vão entre a borda da laje e a fachada cortina, feita com material resistente ao fogo. Sem ela, o espaço atrás da fachada vira chaminé, e fogo e fumaça sobem de um andar para o outro.
- junta de dilatação
- Junta de dilatação é a folga deixada de propósito entre peças ou módulos para o alumínio dilatar com o calor e a estrutura se deformar sem apertar o vidro. Perfil de fachada montado sem folga estala, empena e pode quebrar vidro no verão.
- junta seca
- Junta seca é a junta vedada só por gaxetas e encaixe de perfis, sem selante aplicado na obra. É a junta da fachada unitizada: os módulos chegam com as borrachas montadas e vedam ao se encaixar, sem depender de tempo bom nem de cura.
- junta úmida
- Junta úmida é a junta vedada com selante aplicado na obra, quase sempre silicone sobre tarugo de polietileno. Depende de superfície limpa e seca, de mão de obra cuidadosa e do tempo de cura; em troca, absorve melhor a diferença de medida entre as peças.
Projeto e obra
- carga de vento
- Carga de vento é a força que o vento faz sobre a fachada, empurrando ou sugando, calculada pela NBR 6123 a partir da região, da altura, do formato do prédio e do entorno. É o dado que dimensiona coluna, travessa, espessura de vidro e ancoragem.
- pressão de vento
- Pressão de vento é a carga de vento expressa por área, em pascal (Pa) ou kgf/m². É o número que vai para o memorial e para o ensaio; nos cantos e no topo do prédio a sucção é maior, e a fachada desses trechos é calculada à parte.
- isopletas
- Isopletas são as curvas do mapa da NBR 6123 que ligam os pontos do país com a mesma velocidade básica de vento. O projetista localiza a cidade no mapa, tira a velocidade e parte dela para calcular a pressão sobre a fachada.
- deflexão (flecha)
- Deflexão, ou flecha, é o quanto a coluna ou a travessa enverga sob o vento ou sob o peso do vidro. O projeto limita a flecha a uma fração do vão: perfil que enverga demais quebra o vidro, abre a vedação e assusta quem está do lado de dentro.
- cálculo estrutural
- Cálculo estrutural é a verificação de que perfis, vidros e ancoragens aguentam a carga de vento e o peso próprio dentro do limite de flecha. É feito por engenheiro, com ART, e é ele que define a inércia mínima do perfil — não o catálogo nem o preço do quilo.
- mock-up
- Mock-up é o protótipo da fachada em tamanho real, com os mesmos perfis, vidros e ancoragens da obra. Serve para o ensaio em câmara e para o arquiteto aprovar cor, reflexo e detalhe antes de a fábrica produzir a obra inteira.
- ensaio em câmara
- Ensaio em câmara é o teste em que o protótipo é montado na boca de uma câmara de laboratório e submetido a pressão de ar e a jatos de água. Mede a passagem de ar, a estanqueidade à água e a deformação sob a carga de vento do projeto.
- retrofit de fachada
- Retrofit de fachada é a troca ou a renovação da fachada de um prédio existente, muitas vezes com ele ocupado. A medida vem do levantamento da obra, não do projeto original, e a ancoragem tem que se entender com uma estrutura antiga e fora de prumo.
- balancim
- Balancim é a plataforma suspensa por cabos de aço, que sobe e desce pela face do prédio, usada para montar e vedar a fachada por fora. É equipamento de trabalho em altura, com regras próprias de segurança, e o ritmo da montagem depende de quantos a obra tem.
- andaime fachadeiro
- Andaime fachadeiro é o andaime montado em toda a altura da fachada, com pisos a cada nível e preso ao prédio. Dá acesso a toda a face ao mesmo tempo, o que ajuda na fachada stick e no ACM, mas ocupa a calçada e precisa de projeto e de tela de proteção.
- gôndola de limpeza de fachada
- Gôndola de limpeza de fachada é o equipamento permanente instalado na cobertura, sobre trilho ou braço, que desce uma cabine pela fachada para limpeza e manutenção. Precisa ser prevista no projeto: a fachada tem que ter onde guiar e apoiar a cabine.