Glossário técnico de máquinas CNC
Ficha técnica é uma lista de nomes que só faz sentido para quem já convive com a máquina. Aqui cada um deles tem uma página: o que é, por que existe e o que muda na peça quando ele é bom ou ruim. Quando o item aparece nas máquinas da Etools, a página mostra em quais e com que valor.
155 termos · revisados com o técnico
Ferramenta e corte
Spindle, cone, pinça, troca de ferramenta e o que acontece com a peça.
Spindle
Spindle é o motor que gira a ferramenta de corte no router CNC — o eixo-árvore da máquina, que segura a fresa e a faz girar em alta rotação enquanto os eixos movem o pórtico.
Cone ISO30
Cone ISO30 é o padrão de encaixe cônico (conicidade 7:24) entre o suporte de ferramenta e o nariz do spindle, usado nos routers CNC com troca automática para engatar e soltar a ferramenta em segundos, sempre na mesma posição.
Pinça ER32
Pinça ER32 é o elemento que aperta a haste da fresa por dentro do suporte ou do spindle — uma bucha fendida da série ER (DIN 6499) que fecha ao ser rosqueada e prende hastes de até 20 mm.
ATC — troca automática de ferramentas
ATC (Automatic Tool Changer) é o sistema que troca a ferramenta sozinho durante o programa: o magazine guarda as fresas montadas em cones e o comando pede a troca quando a operação muda, sem o operador encostar na máquina.
Furação de topo
Furação de topo é o furo feito na espessura da chapa — na lateral, não na face — para receber cavilha, minifix, parafuso de montagem ou tambor de excêntrico.
Pocket (rebaixo)
Pocket, ou rebaixo, é a operação em que a fresa remove todo o material de uma área fechada até uma profundidade definida, sem atravessar a peça: a cava do puxador, o rasgo do fundo de gaveta, o rebaixo do espelho, o canal da fita de LED.
Contorno (profile)
Contorno é a operação em que a fresa ou o laser segue a linha da geometria — pela borda externa, para soltar a peça da chapa, ou pela interna, para abrir uma janela — deslocada meio diâmetro para o lado certo da linha, atravessando ou não o material.
Fresa de metal duro
Fresa de metal duro é a ferramenta de corte do router CNC feita de carboneto de tungstênio sinterizado: um material muito mais duro que o aço rápido, que aguenta a rotação de 18.000 a 24.000 RPM e o pó abrasivo do MDF sem perder o fio em poucas horas.
Fresa up-cut
Fresa up-cut é a fresa helicoidal cuja hélice puxa o cavaco para cima, para fora do corte, como uma broca: limpa bem o canal e fura sem entupir, mas tende a levantar e lascar a face de cima de MDF laminado e compensado.
Fresa down-cut
Fresa down-cut é a fresa helicoidal cuja hélice empurra o cavaco para baixo: a face de cima do MDF laminado sai sem lascar e a peça fica pressionada contra a mesa, mas o cavaco fica preso no canal e o fundo do corte passante pode lascar.
Fresa de compressão
Fresa de compressão é a fresa helicoidal que junta as duas hélices numa só: a ponta é up-cut e o resto é down-cut, então a face de baixo é empurrada para cima e a de cima para baixo. O MDF BP e o laminado saem sem lascar nas duas faces em uma passada, e é a fresa padrão do nesting.
Fresa O-flute (monocortante)
Fresa O-flute é a fresa de um corte só, com o canal do cavaco largo, redondo e polido: o cavaco sai inteiro e rápido, sem esquentar, e é por isso que ela corta acrílico sem derreter e alumínio e ACM sem empastar a fresa.
Fresa V (V-bit)
Fresa V é a fresa cônica com a ponta em ângulo — 60°, 90°, 120° ou 135° — que grava sulcos em V, faz chanfro na borda e abre o canal de dobra no ACM. A largura do sulco depende de quanto ela desce, então a mesma fresa faz linha fina e linha grossa.
Lubrificação MQL (névoa de óleo)
Lubrificação MQL é a névoa fina de óleo de corte misturado com ar comprimido que um bico sopra na fresa enquanto ela usina alumínio: mililitros por hora, em vez do jorro de fluido refrigerante da usinagem pesada. Evita que o alumínio empaste no gume, esfria a fresa e sopra o cavaco para longe do corte.
Cone HSK-F63 e BT30
HSK-F63 e BT30 são padrões de cone de ferramenta para spindle com troca automática, alternativos ao ISO30: o BT30 é um cone longo como o ISO30, com outro flange e pino de retenção; o HSK-F63 é um cone curto e oco que apoia no cone e na face ao mesmo tempo, feito para alta rotação em madeira, plástico e alumínio.
Pull stud (pino de retenção)
Pull stud é o pino rosqueado no topo do cone ISO30 ou BT30 que as garras do spindle agarram para puxar o suporte de ferramenta para dentro: um pacote de molas prato mantém as garras puxando, e o ar comprimido empurra o conjunto para soltar. É o que segura a ferramenta durante o corte e a libera na troca automática.
Entrada em rampa e em hélice
Entrada em rampa é a forma de a fresa começar um pocket ou um contorno descendo inclinada, enquanto avança, em vez de furar reto para baixo; em hélice, ela desce girando num círculo. Alivia a ponta da fresa, que corta mal no centro, e evita a marca de mergulho e a queima em material denso.
Corte concordante e discordante
Corte concordante (climb) é quando a fresa gira no mesmo sentido em que avança e o dente entra grosso e sai fino; discordante (conventional) é o contrário, o dente entra raspando e sai grosso. No router de marcenaria o concordante é a regra: melhor acabamento em MDF e acrílico, menos calor e menos esforço.
Acionamento e movimento
O que move os eixos: servo, cremalheira, fuso, guia linear, redutor, inversor.
Servo motor
Servo motor é o motor de eixo que trabalha em malha fechada: um encoder na traseira informa a posição real a cada instante, e o drive corrige sozinho qualquer desvio — diferente do motor de passo, que só recebe ordem e não confere nada.
Cremalheira helicoidal
Cremalheira helicoidal é a barra dentada que, junto com o pinhão, move os eixos longos do router: os dentes são inclinados em vez de retos, o que mantém mais de um dente engrenado o tempo todo.
Fuso de esferas
Fuso de esferas é o parafuso que converte giro em movimento linear usando esferas recirculantes entre o eixo e a castanha, o que reduz o atrito e praticamente elimina a folga — no router CNC é o que aciona o eixo Z.
Guia linear
Guia linear é o trilho retificado sobre o qual os patins (blocos de esferas recirculantes) correm — é o que define por onde o pórtico anda e o que segura o esforço do corte para o lado e para cima.
Redutor planetário
Redutor planetário é a caixa de engrenagens entre o servo motor e o pinhão da cremalheira: divide a rotação e multiplica o torque, com folga angular muito baixa por causa da geometria de engrenagens satélites.
Inversor de frequência
Inversor de frequência é o equipamento que controla a rotação do spindle variando a frequência da energia que chega até ele — é o que permite programar 12.000 ou 24.000 RPM pelo comando, em vez de ligar e desligar.
Servo driver Leadshine
O servo driver é a eletrônica que comanda o servo motor: recebe do comando CNC a posição desejada, lê o encoder do motor e ajusta a corrente até a posição real bater com a pedida — a Leadshine é a fabricante usada nos eixos das máquinas Etools.
Soft starter (partida suave)
Soft starter é o dispositivo eletrônico que faz o motor principal partir em rampa, subindo a tensão aos poucos, em vez de arrancar direto na tensão cheia — evita o pico de corrente da partida.
Sensor de fim de curso
Sensor de fim de curso é o sensor instalado nas pontas de cada eixo que avisa o comando quando o pórtico ou o cabeçote chegou ao limite do curso: é ele que para a máquina antes de bater no batente mecânico e que marca o ponto zero na hora de referenciar.
Eixos X, Y e Z
Eixos X, Y e Z são as três direções em que o router CNC se move: X ao longo da mesa, Y na largura e Z para cima e para baixo. O curso de cada um é o que a ficha técnica chama de área de trabalho, e é o primeiro número a conferir contra a chapa que você corta.
4º eixo (eixo rotativo)
4º eixo é o eixo rotativo que gira a peça em torno do próprio comprimento enquanto X, Y e Z se movem: é o que permite usinar ou cortar um tubo em volta, uma coluna torneada ou uma peça cilíndrica sem tirar e recolocar na mesa a cada face.
Pórtico (gantry)
Pórtico é a ponte que atravessa a mesa do router CNC de um lado ao outro: uma viga apoiada em duas laterais, que corre ao longo do eixo mais comprido e carrega o carro do spindle. É a peça que mais define a rigidez da máquina, porque todo esforço de corte passa por ela.
Estrutura soldada e usinada
Estrutura soldada e usinada é a base da máquina: um chassi de aço em chapa grossa e tubo, soldado, aliviado de tensões e depois usinado de uma vez só num centro de portal, para as faces onde as guias assentam ficarem planas e paralelas em centésimos de milímetro. É o que faz o esquadro e a planeza durarem.
Eixo duplo do pórtico (dual drive)
Eixo duplo do pórtico é a configuração em que dois motores movem a ponte, um em cada lateral, sincronizados pelo comando como se fossem um eixo só: um é o mestre, o outro o escravo. Sem isso, um motor de um lado só torceria a viga a cada aceleração, e o pórtico sairia do esquadro.
Encoder
Encoder é o sensor na traseira do servo motor que conta a rotação do eixo e informa ao drive a posição real a cada instante: é ele que fecha a malha do servo. Sem encoder o motor só recebe ordem e não confere nada, que é o caso do motor de passo.
Castanha de esferas recirculantes
Castanha de esferas é a porca que corre sobre o fuso de esferas: dentro dela as esferas rolam entre a rosca do fuso e a da castanha e voltam por um canal de retorno, em circuito fechado. Pré-carregada, ela elimina a folga e transforma a rotação do motor em avanço sem escorregar.
5 eixos (A, B e C) e 3+1
5 eixos é a máquina que, além de X, Y e Z, inclina a ferramenta em duas rotações — A em torno de X, B em torno de Y, C em torno de Z — por um cabeçote bi-rotativo ou uma mesa articulada. 3+1 é o meio-termo: um 4º eixo que gira a peça para ângulos fixos entre um corte e outro, sem interpolar durante a usinagem.
Jerk (solavanco)
Jerk é a rapidez com que a aceleração muda — a terceira derivada da posição, em mm/s³. Aceleração que sobe de zero ao máximo de uma vez dá um tranco na estrutura; o comando limita o jerk para a aceleração crescer e cair suavemente, em curva S, e o pórtico entrar e sair de curva sem vibrar nem marcar a peça.
Ajuste PID dos servos (tuning)
Ajuste PID é a calibração dos três ganhos do drive do servo — proporcional, integral e derivativo — que definem como o motor reage à diferença entre onde está e onde deveria estar: ganho alto responde rápido mas oscila; baixo é estável mas atrasa. O tuning acha o ponto em que o eixo segue o programa sem tremer.
Fixação e mesa
Como a chapa fica presa enquanto a máquina corta.
Mesa de vácuo setorizada
Mesa de vácuo setorizada é a mesa dividida em áreas independentes, cada uma com sua válvula, para que o vácuo seja puxado só onde a chapa está em vez de na superfície inteira.
Bomba de vácuo de palheta
Bomba de vácuo de palheta é a bomba que gera a sucção da mesa: um rotor excêntrico com palhetas de grafite que deslizam e varrem o ar, funcionando a seco, sem óleo.
Bomba de vácuo Becker
Becker é a fabricante alemã de bombas de vácuo especificada nos modelos de topo da Etools: bomba de palheta a seco, sem óleo, escolhida quando a máquina vai puxar vácuo o turno inteiro, todo dia.
Ventosas de fixação
Ventosas são copos de vácuo individuais, posicionados na mesa, que prendem a peça pela área de contato do copo — usadas onde a mesa plana de vácuo não resolve.
Tabs (pontes segura-peça)
Tabs são pequenas pontes de material que o CAM deixa sem cortar ao longo do contorno, para a peça continuar presa à chapa até o fim da usinagem em vez de soltar e ser arremessada pela fresa. Depois saem na mão, com um golpe de formão ou uma lixada.
Bomba de vácuo de garra (claw)
Bomba de vácuo de garra é a bomba a seco em que dois rotores em forma de garra giram sem se tocar, comprimindo e expulsando o ar sem palheta nem óleo: sem peça de desgaste no contato, ela roda o turno inteiro por anos e é a escolha das células de nesting de grande porte e alta produção.
Mesa de fenolite (baquelite)
Mesa de fenolite é o tampo do router: uma placa de resina fenólica prensada, usinada com uma quadrícula de canais e furos por onde o vácuo passa, dividida em setores com válvula própria. Sobre ela vai a chapa de sacrifício, e é a planeza e a vedação dessa mesa que decidem se a chapa fica presa.
Chapa de sacrifício (spoilboard)
Chapa de sacrifício é a chapa de MDF cru, de 15 ou 18 mm, colocada sobre a mesa de vácuo para a fresa atravessar a peça sem tocar a mesa: o vácuo passa pelos poros dela e segura a chapa de cima, e a fresa entra nela alguns décimos no corte passante. Gasta, é aplainada e trocada — daí o nome.
Colagem de borda
A cola, os rolos e o que faz a fita ficar ou soltar depois de meses.
Rolo pressor
Rolo pressor é o rolete que aperta a peça contra a superfície de referência logo depois de uma operação — na coladeira, é o que prensa a fita de borda sobre a cola ainda quente; no router e no nesting, é o que mantém a chapa deitada durante o carregamento.
Cola EVA
EVA (etileno acetato de vinila) é a cola termofusível padrão da colagem de borda: derrete no tanque da coladeira, é aplicada quente sobre o painel e agarra ao esfriar — o processo é reversível, ela volta a derreter se for aquecida de novo.
Cola PUR
PUR é a cola de poliuretano reativo: aplicada quente como a EVA, mas depois cura reagindo com a umidade do ar e vira um polímero que não derrete mais — a colagem passa a resistir a calor e água.
Cola PO
PO é a cola termofusível de poliolefina: aplicada quente como a EVA e sem a cura química da PUR, ela fica entre as duas — segura mais calor e umidade que a EVA, sem exigir a rotina de purga que a PUR cobra.
Coleiro
Coleiro é o grupo da coladeira de borda que derrete a cola e a aplica no painel: reúne o reservatório aquecido, o controle de temperatura e o rolo que espalha a cola na espessura certa, logo antes de a fita encostar.
Colagem de fita em peças retas
Colagem de fita em peças retas é a colagem feita em linha: a peça encosta numa régua, atravessa os grupos em sequência — coleiro, rolos pressores, refilo, acabamento — e sai pelo outro lado. É assim que sai a borda da maioria das peças de um móvel.
Colagem de fita em peças curvas
Colagem de fita em peças curvas é a colagem em que quem conduz a peça pelo contorno é o operador, enquanto a máquina cuida do avanço, da temperatura da cola e do refilo. É o processo do que não passa na reta: tampo redondo, canto arredondado, porta com raio.
Tupia de entrada (pré-fresagem)
Tupia de entrada é o primeiro grupo da coladeira: duas fresas diamantadas que tiram 1 a 2 mm do topo da peça antes da cola, apagando o lascado e o desvio do corte de serra. A fita cola numa superfície nova, esquadrejada e lisa, e é isso que fecha a linha de cola.
Colagem a laser e ar quente (zero joint)
Colagem a laser ou a ar quente usa fita com uma camada funcional na parte de trás, da cor da fita, que é derretida por laser, ar quente ou plasma no lugar do adesivo. A linha de cola some — o zero joint — porque não há cola de outra cor entre a fita e o painel.
Guilhotina de fita
Guilhotina de fita é a navalha pneumática que corta a fita de borda no comprimento da peça, logo depois de o alimentador puxá-la da bobina: corta com sobra nas duas pontas, de propósito, para o aparador de topo acertar o comprimento depois.
Aparador de topo (destopador)
Aparador de topo é o grupo da coladeira que corta a sobra da fita nas duas pontas da peça: uma serra circular pequena, guiada por um apalpador que encosta na extremidade do painel, entra a 90° e deixa a fita rente ao início e ao fim da peça.
Refilador
Refilador é o grupo de duas fresas — uma em cima, outra embaixo — que tira a sobra da fita de borda na largura, deixando-a rente às faces do painel, com a quina reta ou com o raio da fita. É o que transforma a fita colada em borda pronta para a mão passar.
Arredondador de cantos
Arredondador de cantos é o grupo que dá acabamento na ponta da fita, onde ela encontra a fita do outro lado da peça: uma fresa pequena contorna o canto e arredonda o encontro das duas fitas, tirando a quina viva que sobra do aparador e do refilo.
Raspador de borda
Raspador de borda é a lâmina de perfil côncavo, com o raio da fita, que passa depois do refilador e tira as ondinhas que a fresa deixa na fita de PVC ou ABS, alisando a quina e apagando a marca do avanço. É o que faz a borda ficar lisa ao toque.
Raspador de cola
Raspador de cola é a lâmina plana que passa rente às duas faces do painel, junto da fita, e tira o fio de cola que escapou da junção na prensagem. Sem ele, o fio endurece e vira uma linha grossa e brilhante que a limpeza depois não tira.
Polidor (escovas)
Polidor é o último grupo da coladeira: dois discos de tecido ou sisal que giram inclinados contra a fita, um em cada face, lustrando a borda de PVC que o refilo e o raspador deixaram fosca e tirando o resíduo do spray de limpeza e da cola. A peça sai com a borda no brilho da fita nova.
Líquido antiaderente e de limpeza
Líquido antiaderente é o produto que a coladeira pulveriza nas faces do painel, junto da borda, antes da colagem: forma uma película que impede a cola que escapa de grudar na melamina. O líquido de limpeza, antes do polimento, dissolve o resíduo para os discos deixarem a borda limpa.
Porta-bobinas e alimentador de fita
Porta-bobinas é o prato giratório na entrada da coladeira onde a bobina de fita de borda fica montada e desenrola; o alimentador é o par de roletes que puxa a ponta da fita da bobina, sincronizado com a esteira, e a leva até a guilhotina e o coleiro no momento em que a peça chega.
Rolo aplicador e bico injetor de cola
Rolo aplicador e bico injetor são os dois jeitos de a coladeira colocar a cola no topo do painel: o rolo gira dentro do coleiro, sobe com uma camada de cola e a espalha no topo ao passar; o bico injeta a cola por uma fenda, sob pressão, em camada fina e fechada. O rolo é o padrão com EVA; o bico é comum com PUR.
Identificação de peças
Etiqueta, rastreio e como a peça certa chega na montagem certa.
Etiquetagem de peças
Etiquetagem é imprimir e aplicar uma etiqueta de identificação em cada peça cortada, para que ela chegue à montagem sabendo o que é, de que projeto veio e o que ainda falta fazer nela.
Etiquetadora no pórtico
Etiquetadora no pórtico é a impressora-aplicadora montada no próprio pórtico da máquina, que viaja junto com o cabeçote e cola a etiqueta na peça enquanto ela ainda está na mesa, na posição em que foi cortada.
Etiquetadora no lift
Etiquetadora no lift é a impressora-aplicadora instalada no lift carregador de chapas, que etiqueta a chapa durante o carregamento — antes do corte, e não depois.
Comando e programa
O comando CNC, a linguagem que ele lê e como o desenho vira movimento.
G-Code
G-Code é a linguagem que o comando CNC lê: uma lista de linhas em que cada uma diz para onde ir, com que velocidade e o que ligar — é o formato final em que todo desenho chega à máquina.
G0 e G1
G0 e G1 são os dois comandos de movimento do G-Code: G0 é o deslocamento rápido, com a ferramenta fora do material, e G1 é o movimento de trabalho, cortando, na velocidade de avanço programada.
Códigos G e M
Todo programa de router CNC se divide em dois tipos de instrução: o código G diz para onde a ferramenta vai e de que jeito, e o código M liga e desliga o que não é movimento — spindle, vácuo, troca de ferramenta e o fim do programa.
Comando Syntec
Syntec é o comando CNC de origem taiwanesa usado nos routers e centros de usinagem da Etools: é o computador industrial que lê o G-Code, comanda os servos e o spindle e mostra ao operador o que está acontecendo.
Nesting
Nesting é o método de produzir móveis cortando a chapa inteira no router CNC, com as peças distribuídas pelo software para aproveitar o máximo do material e já sair com furos, cavas e rebaixos prontos.
Comando Cypcut
Comando Cypcut é o software de controle de corte a laser da Friendess (FSCUT), o mais difundido nas máquinas fiber: ele importa o desenho, encaixa as peças na chapa (nesting), guarda a regulagem de corte por material e espessura e comanda o cabeçote, o gás e a fonte durante o corte.
Zero peça (work zero)
Zero peça é o ponto da mesa onde o desenho começa: a coordenada 0,0,0 do programa. Tudo o que o CAM gerou é medido a partir dele, então é onde a chapa precisa estar encostada para o corte cair no lugar certo.
Zero máquina (homing)
Zero máquina é a posição de referência absoluta da máquina, no fim de curso de cada eixo: ao ligar, o comando move os eixos até o sensor de referência e a partir dali sabe onde está. É o homing, o primeiro movimento de todo turno.
Compensação de raio (G41 / G42)
Compensação de raio é o ajuste em que o comando desloca a trajetória em metade do diâmetro da fresa, para o corte cair na linha do desenho e não no centro da ferramenta: G41 desloca para a esquerda do percurso, G42 para a direita, G40 desliga.
Lead-in e lead-out
Lead-in é o trecho de entrada que o CAM acrescenta fora da geometria da peça, onde a ferramenta ou o laser começa o corte; lead-out é a saída, no fim. Servem para a marca de início e de fim não ficar na borda da peça.
CAD
CAD é o programa em que a peça é desenhada — em 2D, como o contorno e os furos de um painel, ou em 3D, como o modelo de um móvel inteiro. O desenho do CAD é o que o CAM transforma em percurso de máquina; a máquina nunca lê o CAD diretamente.
CAM
CAM é o programa que transforma o desenho em percurso de máquina: escolhe a fresa, a profundidade, a ordem e a velocidade de cada operação, e escreve o G-code que o comando executa. É a ponte entre o desenho e a máquina.
Otimizador de corte (nesting optimizer)
Otimizador de corte é o algoritmo que arruma as peças de um pedido dentro das chapas para sobrar o mínimo de retalho, respeitando o sentido do veio e a distância entre peças. Ele gera o plano de corte que vira o programa do router nesting ou da seccionadora.
RTCP (ponto central da ferramenta)
RTCP é a função do comando de 5 eixos que mantém a ponta da fresa no ponto programado quando o cabeçote inclina: ao girar A ou B, a ponta descreveria um arco e sairia do lugar, e o comando move X, Y e Z em tempo real para compensar. Sem RTCP o programa precisaria conhecer a geometria exata do cabeçote.
G02 e G03 (interpolação circular)
G02 e G03 são os comandos do G-code que fazem a ferramenta descrever um arco: G02 no sentido horário, G03 no anti-horário, com o ponto final e o centro (I e J) ou o raio (R) na mesma linha. O comando calcula a curva e move os dois eixos juntos, sem quebrar o arco em retinhas.
G28 e G53 (retorno à referência)
G28 e G53 são os comandos que movem a máquina em coordenadas de máquina, e não da peça: G28 leva os eixos ao ponto de referência (o zero máquina), e G53 vai a uma posição absoluta da máquina, ignorando o zero peça. Servem para a troca de ferramenta, a posição de descarga e o estacionamento seguro do pórtico.
G43 (compensação de comprimento)
G43 é o comando que aplica ao eixo Z o comprimento da ferramenta cadastrado na tabela do comando — o valor que o probe mediu: `G43 H5` desloca o Z pelo comprimento da ferramenta 5, e a profundidade programada passa a ser a da ponta da fresa, seja ela curta ou comprida. G49 cancela.
Plano de segurança (retract height)
Plano de segurança é a altura em Z, acima da peça, em que a ferramenta se desloca em G0 entre um corte e outro: alta o bastante para passar por cima de grampos, batentes e peças já cortadas que levantaram, e baixa o bastante para não perder tempo subindo e descendo a cada furo. É um parâmetro do CAM.
Promob (Plus, Start, Builder e Cut Pro)
Promob é o software de projeto de móveis mais usado no Brasil: o Plus e o Start desenham o ambiente e o móvel em 3D; o Builder é o módulo de engenharia que coloca furação, ferragem, folga e regra de montagem em cada peça; o Cut Pro gera o plano de corte e o nesting. Dele saem a lista de peças e o programa da máquina.
Corte Certo e OptiCut (plano de corte)
Corte Certo e OptiCut são otimizadores de plano de corte independentes do software de projeto: recebem a lista de peças e devolvem como cortá-las da chapa ou da barra com a menor sobra. Em 2D (MDF, vidro, ACM) alimentam a seccionadora e o router; em 1D (perfil, tubo, madeira) alimentam o centro de corte.
Pós-processador (post-processor)
Pós-processador é o tradutor no fim do CAM: pega o percurso genérico calculado na tela e escreve o G-code com a sintaxe, os códigos e a ordem que o comando daquela máquina entende. Cada comando tem o seu — Syntec, Fanuc, Siemens, Weihong, RichAuto, Mach3 —, e o programa gerado para um não roda no outro.
Macro de usinagem
Macro de usinagem é um bloco de programa pronto, com variáveis, que repete uma geometria comum a partir de poucos dados: o furo de dobradiça de caneco de 35 mm, o par de furos de cavilha, o rebaixo de fechadura. O software ou o comando guarda a macro, e cada uso só informa posição e medida.
Parametrização de peças
Parametrização de peças é modelar com regras em vez de posições fixas: a dobradiça fica a 100 mm de cada extremidade e mais uma a cada 600 mm, a corrediça a 37 mm da frente, o fundo rebaixado a 10 mm. Muda a largura ou a altura da peça no projeto, e as usinagens se reposicionam sozinhas.
DXF por camadas (layers)
DXF por camadas é a convenção em que o desenho 2D chega ao CAM com cada operação numa camada de nome padronizado — CONTORNO, FRESA_6_PROF_10, FURO_8_PROF_12 —, e o CAM lê o nome e aplica ferramenta, profundidade e operação sozinho. É como o desenho de outro software vira programa sem reprogramar peça a peça.
MPR, CIX, BAN e XML (formatos de usinagem)
MPR, CIX, BAN e XML são formatos em que cada peça leva o próprio programa de usinagem: MPR é o do woodWOP da Homag, CIX e CID são da Biesse, BAN vem do Xilog da SCM, e XML é o formato aberto dos softwares brasileiros. O centro de furação lê o arquivo da peça pelo código de barras e fura sem ninguém programar.
Integração com ERP e MES (XML e CSV)
Integração com ERP e MES é a troca de arquivos XML ou CSV entre a gestão da fábrica e a produção: o ERP manda a ordem de corte com as peças, as medidas e a fita de cada face; a máquina e o software de produção devolvem o que foi cortado, quando e com que aproveitamento. É o dado que fecha o custo do pedido.
Precisão e medição
Os números da ficha técnica que dizem o que sai da máquina.
Repetibilidade
Repetibilidade é o quanto a máquina volta ao mesmo ponto quando recebe o mesmo comando várias vezes; precisão de posicionamento é outra coisa — é o quanto o ponto onde ela chega corresponde ao que foi pedido.
Probe (sensor de ferramenta)
Probe é o apalpador fixo na mesa que mede o comprimento de cada ferramenta: a fresa desce até encostar no sensor, o comando grava a altura e passa a saber exatamente onde fica a ponta. É o que faz o furo sair na mesma profundidade com qualquer fresa ou broca.
Avanço de corte (feed rate)
Avanço de corte é a velocidade com que a fresa anda dentro do material, em mm/min ou m/min — a velocidade de trabalho em G1 da ficha técnica. Junto com a rotação e o número de cortes da fresa, ele define quanto material cada dente tira por volta, e é a regulagem que mais muda acabamento, vida da fresa e tempo de ciclo.
Stepover (passada lateral)
Stepover é a distância entre uma passada da fresa e a seguinte quando ela varre uma área — o rebaixo, o desbaste de um relevo, o aplainamento da mesa de sacrifício. É dado em porcentagem do diâmetro da fresa: 40% deixa o fundo liso; 80% é rápido e deixa listras.
Stepdown (profundidade por passada)
Stepdown é quanto a fresa desce por passada quando o corte é feito em camadas: em vez de atravessar os 18 mm de uma vez, o CAM divide em duas ou três descidas. Quanto maior o stepdown, mais rápido o ciclo e mais esforço no spindle, na fresa e na fixação.
Chip load (cavaco por dente)
Chip load é a espessura do cavaco que cada corte da fresa tira por volta: o avanço dividido pela rotação e pelo número de cortes. É o número que o fabricante da fresa publica, e a partir dele se acha o avanço certo para cada fresa, rotação e material.
Tolerância dimensional e retilinidade
Tolerância dimensional é o quanto a medida real pode diferir da do desenho; retilinidade é o quanto uma aresta ou face pode se afastar de uma linha reta. Na esquadria as duas decidem se a folha veda: perfil fora da tolerância ou torto não encosta na borracha por igual, e entra ar e água.
Backlash (folga mecânica)
Backlash é a folga entre as peças que transmitem o movimento — dente de pinhão com cremalheira, esfera com castanha do fuso, engrenagem do redutor — que aparece quando o eixo inverte o sentido: o motor gira, mas a mesa só anda depois de vencer o vazio. Sai na peça como erro na medida a cada reversão.
Relógio comparador
Relógio comparador é o instrumento de ponteiro que mede deslocamento pequeno — centésimos ou milésimos de milímetro — com uma haste que encosta na peça e uma base magnética que o fixa na máquina. É com ele que se mede backlash, alinhamento de guia, planeza da mesa, esquadro do pórtico e runout do spindle.
Esquadro de granito e bloco padrão
Esquadro de granito e bloco padrão são referências geométricas de precisão — um L ou um bloco de granito preto lapidado, plano e perpendicular em milésimos de milímetro — para aferir a máquina: apoiados na mesa, servem de linha reta e de 90° contra os quais o relógio comparador mede o pórtico e os eixos.
Runout do spindle (desvio radial)
Runout é o quanto a ponta da ferramenta gira fora de centro: a soma da excentricidade do cone do spindle, do suporte, da pinça e da própria fresa, medida com relógio apalpador. Alguns milésimos são normais; centésimos aparecem como parede rugosa, diâmetro maior que a fresa e fresa fina quebrando.
Instalação e segurança
O que a máquina exige do galpão e o que a norma exige da máquina.
Coletor de pó
Coletor de pó é o conjunto de exaustão que puxa o cavaco pelo bocal em volta da fresa e o leva até um filtro ou saco — no router CNC ele é parte da máquina, não acessório.
NR-12
NR-12 é a norma regulamentadora brasileira de segurança em máquinas e equipamentos: define proteções, dispositivos de parada e procedimentos que a máquina e a instalação precisam ter para operar legalmente.
Ar condicionado para painel elétrico
É a unidade de climatização acoplada ao painel elétrico da máquina, que mantém a temperatura interna dentro da faixa de trabalho do inversor, dos drivers e do comando — com o painel fechado, sem trocar ar com o galpão.
Chiller
Chiller é o refrigerador de água que mantém na temperatura certa o que esquenta trabalhando o turno inteiro — o spindle refrigerado a água da Linha Hybrid e a fonte de laser das máquinas de solda e de corte fiber — circulando água gelada em circuito fechado.
Compressor de ar comprimido
Compressor de ar é o que alimenta tudo o que na máquina é pneumático: o esquadro que encosta a chapa, a troca de ferramentas, os apalpadores da coladeira, a morsa do centro de perfis e o sopro do cabeçote do laser. A ficha pede pressão em bar e vazão em litros por minuto, e os dois precisam sobrar.
Secador de ar comprimido
Secador de ar comprimido é o equipamento depois do compressor que resfria o ar e condensa a umidade antes de ela chegar na máquina. Ar sem secador carrega água: ela oxida cilindros e válvulas, contamina a lente do laser e a cola da coladeira, e é a causa mais comum de pneumática falhando em máquina nova.
Rede trifásica (220 V / 380 V)
Rede trifásica é a alimentação em três fases que o motor e o inversor das máquinas industriais pedem: 220 V ou 380 V entre fases, conforme a região. Router de 9 kW, centro de usinagem, fiber laser e centro de perfis são trifásicos; só as menores, como a solda SFE de 1500 e 2000 W, ligam em 220 V monofásico.
EPI (equipamento de proteção individual)
EPI é o que o operador usa no corpo para se proteger do que a máquina não elimina: óculos com filtro para o laser, protetor auricular contra a bomba de vácuo e o spindle, máscara contra o pó fino do MDF, calçado de segurança e luva térmica no coleiro. A NR-6 obriga o empregador a fornecer e o operador a usar.
Esteira porta-cabos (drag chain)
Esteira porta-cabos é a corrente articulada, de plástico ou metal, que acompanha o pórtico e o carro do spindle levando dentro dela os cabos de potência e de sinal, as mangueiras de ar e de vácuo e a tubulação de lubrificação, para nada enroscar, dobrar em raio pequeno ou ser esmagado com a máquina em movimento.
Torre luminosa (andon)
Torre luminosa é a coluna de luzes no alto da máquina que mostra de longe o estado dela: verde produzindo, amarela parada esperando alguém (fim de programa, troca de chapa, ferramenta), vermelha em alarme ou emergência. É o andon da manufatura enxuta aplicado ao router e à coladeira.
Capela de aspiração do spindle
Capela de aspiração é a carenagem que envolve a ponta do spindle, com cerdas flexíveis em volta que encostam na chapa, ligada por mangueira ao coletor de pó: o pó e o cavaco são puxados na saída da fresa, antes de se espalhar pela mesa e pelo galpão.
Corte e solda a laser
Fonte, cabeçote, gás, foco e o que cada regulagem faz na borda da chapa.
Cabeçote de corte a laser
Cabeçote de corte a laser é a peça que fica na ponta do pórtico da fiber laser: recebe o feixe pelo cabo de fibra, concentra ele num ponto do tamanho de um fio de cabelo sobre a chapa e sopra o gás de corte pelo bico, em volta do feixe. É o equivalente do spindle no router.
Fonte laser fiber
Fonte laser fiber é o gerador do feixe da máquina de corte ou de solda a laser: um gabinete onde diodos bombeiam luz numa fibra óptica dopada, que a transforma em laser, e um cabo de fibra leva o feixe até o cabeçote. A potência dela, em kW, é o número que diz o que a máquina corta.
Laser CO2
Laser CO2 é o laser gerado num tubo de vidro selado com mistura de gás carbônico, excitado por alta tensão, com comprimento de onda de 10,6 µm. É o laser dos materiais orgânicos e plásticos — acrílico, MDF, madeira, couro, tecido, papel — e não corta metal, que reflete esse comprimento de onda.
Lente de foco
Lente de foco é a lente do cabeçote que concentra o feixe do laser num ponto de décimos de milímetro sobre a chapa: é nesse ponto, o spot, que a energia fica densa o bastante para derreter e vaporizar o metal. A distância focal da lente — F150, F200 — define o tamanho do spot e a profundidade em que ele age.
Ponto focal (posição do foco)
Ponto focal é a altura em que o feixe do laser está mais concentrado — e a regulagem que diz onde ele fica em relação à chapa: no foco zero, na face; positivo, acima dela; negativo, dentro. Cada material e espessura pede uma posição, e é isso que o foco motorizado do cabeçote acerta sozinho.
Colimador
Colimador é a lente na entrada do cabeçote que pega o feixe divergente que sai da ponta da fibra e o torna paralelo — um cilindro de luz de uns 20 mm — para a lente de foco depois concentrar num ponto. Sem ele o feixe se abriria e a lente de foco não teria o que focar.
Gás de assistência (O2, N2, ar comprimido)
Gás de assistência é o gás que o bico sopra em volta do feixe durante o corte a laser: oxigênio para o aço carbono, que reage e ajuda a queimar; nitrogênio para o inox e o alumínio, que só expulsa o metal fundido e deixa a borda limpa; ar comprimido para chapa fina em que o custo importa mais que o acabamento.
Bico de corte (nozzle)
Bico de corte é a ponta de cobre rosqueada no cabeçote por onde saem o feixe e o gás de assistência: o diâmetro do furo — 1,0 a 4,0 mm — e o formato, simples ou duplo, definem como o gás entra na fenda e são trocados conforme material, espessura e gás. É o consumível mais barato e mais trocado do fiber laser.
Sensor de altura capacitivo
Sensor de altura capacitivo é o sistema que mantém o bico do fiber laser à distância certa da chapa — em geral 0,5 a 1,5 mm — medindo a capacitância entre o bico e o metal e corrigindo o eixo Z em tempo real. A chapa empenada ou ondulada é acompanhada, e o corte sai igual de um canto ao outro da mesa.
Kerf (largura do corte)
Kerf é a largura da fenda que o laser abre na chapa — o material que vira vapor e respingo: uns 0,1 a 0,3 mm no fiber, 0,2 a 0,5 mm no CO2, mais na chapa grossa. É o diâmetro da ferramenta do laser: o programa desloca o percurso em meio kerf para a peça sair na medida do desenho.
Piercing (perfuração inicial)
Piercing é o furo que o laser faz para atravessar a chapa antes de começar a andar no contorno: o feixe fica parado num ponto, com potência e gás próprios, até vazar o metal. É a etapa mais violenta do corte — respinga, esquenta e gasta lente — e por isso acontece no lead-in, fora da peça.
Frequência de pulso e duty cycle
Frequência de pulso e duty cycle modulam o feixe: a frequência é quantas vezes por segundo o laser liga e desliga (Hz), e o duty cycle é a fração do tempo em que fica ligado (%). A 100% o feixe é contínuo; abaixo disso, pulsado, e a chapa recebe menos calor médio com a mesma potência de pico.
ZTA (zona termicamente afetada)
ZTA é a faixa de metal ao lado do corte ou da solda que não derreteu, mas aqueceu o bastante para mudar de estrutura: fica mais dura ou mais mole, muda de cor e pode empenar. No fiber laser ela tem décimos de milímetro, e é por isso que o laser deixa a chapa mais plana e a borda mais fácil de usinar que o plasma.
Escória (dross)
Escória é o metal fundido que o gás de assistência não conseguiu expulsar da fenda e solidificou grudado na borda inferior do corte — a rebarba do laser. Corte bem regulado não tem; quando aparece, é sintoma de gás, foco, bico ou velocidade fora do ponto.
Mesa intercambiável (shuttle table)
Mesa intercambiável é o sistema de duas mesas do fiber laser que se alternam: enquanto uma está dentro da máquina cortando, a outra fica do lado de fora para o operador descarregar as peças e colocar a próxima chapa. Ao terminar o programa, as mesas trocam de lugar em menos de um minuto, e a máquina volta a cortar.
Materiais
O que entra na máquina — painel, chapa, metal — e o que cada um pede de ferramenta, regulagem e acabamento.
Valchromat
Valchromat é um painel de fibras de madeira colorido na massa: o corante entra na fibra antes da prensagem e a cor atravessa a chapa inteira. Fabricado em Portugal pela Investwood, é mais denso que o MDF comum e corta no router CNC sem esfarelar — rebaixo, chanfro e borda saem da cor da face.
MDF
MDF é o painel de fibra de madeira de média densidade: a madeira é desfibrada, misturada com resina e prensada a quente numa chapa homogênea, sem veio e sem nó, com 650 a 800 kg/m³. É o painel que a marcenaria mais usa, e o que melhor aceita a fresa do router CNC — corta, fura, rebaixa e faz relevo em qualquer direção.
MDP
MDP é o painel de partículas de média densidade: lascas de madeira com resina, prensadas em três camadas — partícula grossa no miolo, fina nas duas faces. É o painel do móvel plano seriado (lateral, prateleira, tampo, porta reta), mais barato e mais leve que o MDF, e o que a coladeira de borda e a furadeira mais veem.
Compensado (plywood)
Compensado, ou plywood, é o painel feito de lâminas de madeira coladas em número ímpar, cada uma com o veio cruzado a 90° em relação à vizinha. O cruzamento é o que dá a resistência: ele aguenta mais carga e parafuso que o MDF com o mesmo peso, e por isso é o painel da estrutura — sofá, cama, caixa, base de tampo.
Compensado naval
Compensado naval é o compensado colado com resina fenólica, que não solta com umidade: as lâminas continuam grudadas depois de molhar e secar. É o painel da peça que vai ver água — banheiro, área externa, barco pequeno, forma de concreto — e da mesa de sacrifício do router CNC.
Teca
Teca é a madeira da Tectona grandis, uma árvore asiática plantada no Brasil em Mato Grosso e no Pará. Tem óleo natural e sílica na fibra, e é isso que a faz durar ao ar livre e na água sem tratamento — deck de barco, móvel de jardim, esquadria — e também o que desgasta a fresa e atrapalha a cola.
PVC expandido
PVC expandido é a placa de PVC com o miolo espumado: leve (500 a 700 kg/m³), rígida, lisa nas duas faces, que corta no router CNC com borda limpa e não absorve água. É a chapa da comunicação visual — placa, letra caixa, expositor, stand — e da peça que vai ficar em ambiente molhado sem ser madeira.
ACM
ACM é o painel de alumínio composto: duas lâminas finas de alumínio pintado, de 0,2 a 0,5 mm, coladas num miolo de polietileno, em chapas de 3 ou 4 mm. É a chapa da fachada, do totem e da letra caixa: plana, leve e rígida, corta no router CNC e dobra na mão depois de uma fresa em V que rebaixa até a lâmina de baixo.
Acrílico
Acrílico é a chapa de PMMA, o plástico transparente da comunicação visual e do display: passa mais luz que o vidro, pesa metade e não estilhaça. Corta no router CNC com fresa de um corte e no laser CO2 com a borda já polida; o fiber laser não corta. Vem fundido ou extrudado, e a diferença muda o corte.
PS (poliestireno)
PS é a chapa de poliestireno, o plástico mais barato da comunicação visual: placa, fundo de letreiro, display de ponto de venda, peça termoformada. Vem em 0,5 a 5 mm, branco (alto impacto) ou cristal, corta no router CNC e no laser CO2, e aceita impressão e adesivo — mas empena ao sol e amarela com o tempo.
Alumínio
Alumínio é o metal leve da esquadria, da fachada, da letra caixa e da peça de máquina: um terço do peso do aço, não enferruja e chega à fábrica como perfil ou chapa. Corta no fiber laser com nitrogênio, usina no router CNC com fresa própria e corta a 45° na serra — cada forma pede uma máquina e uma liga.
Aço carbono
Aço carbono é o aço comum da serralheria e da metalúrgica: ferro com uma pequena parte de carbono, sem liga, barato e fácil de cortar, dobrar e soldar. Chega em chapa, tubo e perfil; enferruja se ficar nu, por isso vai pintado ou galvanizado. No fiber laser corta com oxigênio até 20 mm na Fiber EF 3015N.
Aço inox
Aço inox é o aço com cromo — pelo menos 10,5% — que forma sozinho uma camada de óxido invisível e não enferruja. É o metal da cozinha industrial, da serralheria de alto padrão e da letra caixa. No fiber laser corta com nitrogênio, borda limpa, até 12 mm na EF 3015N; na solda a laser é o material que melhor solda.
Fita de borda (PVC, ABS, melamínica, madeira)
Fita de borda é o revestimento que cobre o topo do painel de MDF ou MDP depois do corte: uma tira de PVC, ABS, melamina ou lâmina de madeira, na cor do painel, colada pela coladeira. É o que esconde o miolo, protege o topo de umidade e batida e dá o acabamento que define se o móvel parece de fábrica ou de improviso.
Perfil extrudado de alumínio
Perfil extrudado de alumínio é a barra com seção fixa — tubular, em L, em U ou com câmaras e encaixes — feita forçando o alumínio aquecido por uma matriz, vendida em barras de 6 m. É a matéria-prima da esquadria: montante, travessa, marco e folha da janela, da porta e da fachada.
Aplicações por segmento
O que a marcenaria, a comunicação visual e a esquadria fazem com a máquina: furação de sistema, dobra de ACM, letra caixa, corte a 45°.
Laminação e post-forming
Laminação é revestir o painel de MDF ou MDP com laminado de alta pressão (o laminado tipo fórmica) ou melamina; post-forming é o processo em que esse laminado é aquecido e curvado sobre a borda arredondada do painel, cobrindo face e topo numa peça só, sem fita de borda nem emenda.
Sistema 32 (furação 32 mm)
Sistema 32 é o padrão de furação em que os furos das laterais do móvel ficam em fileiras a 32 mm um do outro, com 5 mm de diâmetro e a fileira a 37 mm da borda frontal. Dobradiça, corrediça e suporte de prateleira foram desenhados para cair nesses furos, e o mesmo painel serve para qualquer configuração.
Minifix, Rafix e cavilha
Minifix, Rafix e Girofix são conectores de montagem rápida e oculta: um tambor excêntrico embutido na face do painel gira e trava um pino no topo do painel vizinho, juntando as peças a 90° sem parafuso aparente. A cavilha é o pino de madeira que alinha as peças. Todos dependem de furos na posição e profundidade certas.
Rebaixo para fita de LED
Rebaixo para fita de LED é o canal fresado na prateleira, no painel ou no nicho do móvel para embutir o perfil de alumínio da fita de LED, deixando a luz rente à superfície. No router e no centro de usinagem é um pocket estreito e comprido, na largura e na profundidade do perfil, feito no mesmo programa da peça.
Fresamento em V no ACM (V-groove)
Fresamento em V é o canal em ângulo que o router faz atrás da placa de ACM, removendo a lâmina traseira e o núcleo até sobrar só a lâmina da frente. A placa dobra na mão ao longo do canal — a 90° com fresa de 90°, em ângulo obtuso com a de 135° — e vira caixa, totem ou revestimento sem solda nem emenda.
Letra caixa (frontlit e backlit)
Letra caixa é a letra em volume da fachada: uma face recortada em acrílico, ACM, inox ou galvanizado e uma lateral dobrada em tira de alumínio ou aço, formando uma caixa com fita de LED dentro. Frontlit ilumina pela face translúcida; backlit ilumina por trás, refletindo na parede.
Borda polida a laser (flame polished)
Borda polida a laser é o acabamento que o laser CO2 deixa na borda do acrílico quando corta com velocidade, potência e foco certos: o material funde e ressolidifica liso e transparente, como vidro, sem o polimento que o corte no router ou na serra exige.
Gravação a laser (raster e vetorial)
Gravação a laser é a marcação da superfície sem atravessar o material: em raster o feixe varre a área linha a linha e grava relevo raso ou mudança de cor; em vetorial segue as linhas do desenho, para traço fino. CO2 grava acrílico, MDF, madeira e couro; fibra grava metal e anodizado.
Centro de usinagem de perfis de alumínio
Centro de usinagem de perfis é o CNC feito para a barra de alumínio da esquadria: morsas pneumáticas prendem o perfil deitado e um spindle com troca automática fura, fresa, rasga e rosqueia ao longo do comprimento e em mais de uma face — dreno, fechadura, cremona e encaixe de canto num programa por tipologia.
Corte em esquadria (45°)
Corte em esquadria é o corte a 45° nas pontas de dois perfis para eles se encontrarem num canto de 90°, como o quadro de uma janela ou de uma porta de alumínio. Os quatro cortes precisam ter o mesmo ângulo e a mesma medida: qualquer desvio se soma nas quatro junções e vira fresta, e o quadro não fecha.
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