Os principais códigos G e M da programação de router CNC
Tabela de consulta dos códigos que aparecem em todo programa de router — e o detalhe que os manuais genéricos não contam: no router, M7 e M8 costumam ser o vácuo, não refrigeração.
Por Diego · 09 de setembro de 2026 · 5 min de leitura · revisado em 01 de setembro de 2026
Como ler uma linha de programa
Antes da tabela, o que faz ela fazer sentido. Uma linha típica:
G1 X1200 Y800 F8000
Traduzindo: mover cortando (G1) até a posição X=1200, Y=800, a 8.000 mm por minuto (F). Cada linha do programa é isso — um destino, um jeito de chegar e, quando muda, uma velocidade.
Os endereços que acompanham os códigos:
Letra
O que é
X Y Z
destino nos três eixos
I J K
centro do arco, no G2 e G3
F
avanço (feed), em mm/min
S
rotação do spindle, em RPM
T
número da ferramenta
A programação se divide em duas famílias: código G, que trata de movimento e geometria, e código M, que liga e desliga o que não é movimento. Vale entender a divisão antes de decorar a lista — está explicada no verbete Códigos G e M do glossário.
Códigos G — movimento e modo
Movimento
Código
O que faz
G0
Movimento rápido, sem cortar. É o deslocamento no ar, entre um ponto e outro.
G1
Interpolação linear: corte em linha reta, no avanço programado em F.
G2
Interpolação circular no sentido horário.
G3
Interpolação circular no sentido anti-horário.
G28
Retorno à posição de referência da máquina (home).
G0 e G1 são os dois que aparecem em toda linha de contorno, e a diferença entre eles é a que mais pesa no tempo de turno.
Plano e unidade
Código
O que faz
G17
Plano de trabalho XY — o padrão em router.
G18
Plano XZ.
G19
Plano YZ.
G20
Medidas em polegadas.
G21
Medidas em milímetros.
Em router de chapa você vai ver G17 e G21 no cabeçalho de praticamente todo programa. G18 e G19 aparecem em usinagem lateral e em máquina com quarto eixo.
Sobre G20 e G21: é o par que estraga peça quando o programa vem de outra origem. Programa em polegada rodando numa máquina configurada em milímetro não dá erro — dá peça 25,4 vezes menor.
Origem e compensação
Código
O que faz
G54 a G59
Sistemas de coordenadas de trabalho: os zeros-peça.
G40
Cancela a compensação de raio da ferramenta.
G41
Compensação à esquerda do contorno.
G42
Compensação à direita do contorno.
G90
Coordenadas absolutas: medidas a partir do zero-peça.
G91
Coordenadas incrementais: medidas a partir da posição atual.
G94
Avanço em milímetros (ou polegadas) por minuto.
Estes são os que mais custam peça quando saem errados.
G54 a G59 guardam origens diferentes. Rodar o programa com o zero errado joga toda a usinagem para outro canto da mesa — e a máquina obedece sem reclamar.
G41 e G42 fazem a máquina desviar meio diâmetro da fresa do contorno, para a peça sair na medida do desenho. Se o diâmetro cadastrado não bate com a fresa que está montada, a peça sai fora de medida com o programa aparentemente correto. É o erro que mais parece defeito de máquina e não é.
G90 e G91: absoluto é "vá para a posição 1200"; incremental é "ande mais 1200 a partir daqui". Trocar um pelo outro no meio do programa acumula erro a cada linha.
Códigos M — funções de máquina
Código
O que faz
M0
Parada obrigatória do programa.
M1
Parada opcional — só para se estiver ativada no comando.
M2
Fim de programa.
M30
Fim de programa e retorno do cursor ao início.
M3
Liga o spindle no sentido horário.
M4
Liga o spindle no sentido anti-horário.
M5
Desliga o spindle.
M6
Troca de ferramenta — manual ou pelo magazine ATC.
M7
Liga o auxiliar (névoa, ou o que o fabricante mapeou).
M8
Liga o auxiliar (refrigeração, vácuo ou soprador).
M9
Desliga os auxiliares.
M3 aparece com o S junto: M3 S18000 liga o spindle a 18.000 RPM.
M6 vem com o T: T5 M6 troca para a ferramenta 5. Em máquina com magazine ATC isso acontece sozinho; sem magazine, o programa para e espera o operador trocar na mão.
A parte que os manuais genéricos não contam
M7 e M8 no router não são o que são no metal. Em centro de usinagem metalúrgico, M7 liga névoa e M8 liga refrigeração. Router de madeira normalmente não usa refrigeração — e o fabricante costuma reaproveitar esses mesmos endereços para a bomba de vácuo, o soprador de cavaco ou a aspiração.
Qual faz o quê está no manual da sua máquina, não no padrão. É a primeira coisa a conferir num programa que veio de outra origem: ele pode cortar certo e simplesmente não ligar o vácuo — e chapa sem vácuo é peça voando.
Dialeto existe. G0, G1, M3 e M5 são praticamente universais, e é isso que dá a falsa impressão de que o resto também é. Ciclo de furação, formato da troca de ferramenta e os auxiliares mudam de fabricante para fabricante.
Você não vai escrever isso à mão
Vale dizer, porque a lista acima assusta quem está começando: ninguém programa router digitando G-Code.
O caminho real é o desenho sair do software de projeto — Promob, Dinabox ou equivalente —, o software de fabricação decidir a ordem das operações e as ferramentas, e o pós-processador traduzir tudo para o dialeto do seu comando.
Saber ler serve para outra coisa: quando a peça sai fora de medida e o desenho está certo, abrir o arquivo e conferir a coordenada é mais rápido que refazer o projeto. E quando a máquina "está errada" numa instalação nova, quase sempre é o pós-processador, não defeito mecânico — origem trocada, ferramenta que não troca, Z mergulhando fundo demais.
Antes de abrir chamado, gere o mesmo programa com o pós de referência e compare.
Um cabeçalho típico, comentado
G21 G17 G90 G94 ; milímetro, plano XY, absoluto, avanço por minuto
G54 ; zero-peça 1
T1 M6 ; ferramenta 1
M3 S18000 ; spindle horário, 18.000 RPM
M8 ; auxiliar (no seu router, confira: costuma ser o vácuo)
G0 X0 Y0 ; posiciona no ar
G0 Z5 ; altura de segurança
...
M5 ; desliga spindle
M9 ; desliga auxiliar
G28 ; volta ao home
M30 ; fim
Se você abrir um programa da sua máquina e reconhecer essas linhas, já dá para achar o que está errado na maior parte dos casos.
Neste artigo
Máquinas relacionadas
As linhas Etools citadas no texto, com ficha técnica, modelos e FAQ.
Fale com um especialista Etools: orçamento, demonstração e visita técnica com instalação, treinamento e suporte no Brasil.
FAQ
Perguntas frequentes
Respostas diretas para as dúvidas mais comuns de quem está avaliando esta máquina. Não encontrou o que procura? .
O código G trata de movimento e geometria: para onde a ferramenta vai e de que jeito. O código M liga e desliga o que não é movimento — spindle, troca de ferramenta, vácuo e o fim do programa.
G0 (movimento rápido no ar), G1 (corte em linha reta), G2 e G3 (arcos horário e anti-horário), G17 (plano XY), G21 (milímetros), G90 (coordenadas absolutas), G54 a G59 (zeros-peça) e G40/G41/G42 (compensação de raio da ferramenta).
M3 liga o spindle no sentido horário, M5 desliga, M6 troca de ferramenta, M7 e M8 acionam os auxiliares, M9 desliga os auxiliares e M30 encerra o programa retornando o cursor ao início.
Em centro de usinagem metalúrgico, sim. Em router de madeira normalmente não há refrigeração, e o fabricante costuma reaproveitar M7 e M8 para a bomba de vácuo, o soprador de cavaco ou a aspiração. Qual faz o quê está no manual da sua máquina, não no padrão — é a primeira coisa a conferir num programa vindo de outra origem.
São a compensação de raio da ferramenta: fazem a máquina desviar meio diâmetro da fresa do contorno para a peça sair na medida do desenho, à esquerda (G41) ou à direita (G42). O G40 cancela. Se o diâmetro cadastrado não bate com a fresa montada, a peça sai fora de medida com o programa aparentemente correto.
Não. O desenho sai do software de projeto, o de fabricação define operações e ferramentas, e o pós-processador traduz para o dialeto do seu comando. Saber ler serve para diagnosticar: quando a peça sai fora de medida e o desenho está certo, conferir a coordenada no arquivo é mais rápido que refazer o projeto.