Um guia linha por linha — Start Full, Start ATC 10, Max, New Pro, Nesting e Hybrid — começando pelas três perguntas que decidem a escolha antes de olhar qualquer modelo.
Por Equipe Etools · 05 de setembro de 2026 · 10 min de leitura · revisado em 01 de setembro de 2026
Escolher router CNC não é escolher a maior. É escolher a que dá conta do seu volume sem sobrar máquina parada — e a resposta muda conforme o que você produz, quantas chapas passam por mês e quem vai operar.
Este guia percorre as linhas de router CNC da Etools na ordem em que elas costumam aparecer na vida de uma marcenaria, com o que cada uma resolve e o que ela ainda não resolve.
Três perguntas antes de olhar modelo
Quem chega perguntando "qual router CNC é a melhor" quase sempre volta com outra pergunta na cabeça depois de responder estas três.
Quantas chapas você corta por mês, hoje? Não é quantas você gostaria de cortar: é quantas saem. Esse número separa quem precisa de uma máquina que trabalha meio turno de quem precisa de uma que não pode parar. Marcenaria que processa 100 chapas por mês tem um problema; quem processa 800 tem outro completamente diferente, e a máquina certa para um é a errada para o outro.
Quantas operações diferentes cada peça leva? Se o seu trabalho é basicamente contorno e furo de dobradiça, uma máquina de troca manual de ferramenta resolve. Se cada peça pede contorno, furo de cavilha, furo de dobradiça, cava de puxador e rebaixo de fundo, você vai trocar de fresa cinco vezes por chapa — e aí a troca automática de ferramentas (ATC) deixa de ser luxo e vira o item que define o tempo de ciclo.
Quem vai operar? Máquina com comando Syntec e software de nesting não exige engenheiro, exige alguém disposto a aprender e a manter rotina. Se a resposta for "eu mesmo, nas horas vagas", a escolha muda: melhor uma máquina mais simples rodando todo dia do que um centro de usinagem esperando alguém ter tempo.
Como a ferramenta é trocada — na mão, com pinça ER32, ou sozinha, com cone ISO30 e magazine.
Quanta força e velocidade — potência do spindle, potência do servo e as velocidades de G0 e G1.
Como a chapa entra e sai — na mão, com rolo auxiliar, com empurrador, com lift carregador, com esteira de descarga.
Área de trabalho — chapa inteira de MDF ou peça longa de 5 metros.
Ler a ficha técnica com esses quatro eixos na cabeça transforma uma lista de itens numa comparação que faz sentido.
Linha Start Full: entrar no CNC sem errar a mão
A Linha Start Full é o router CNC de entrada: dois spindles de 4,5 kW (6 cv) refrigerados a ar, comando Syntec, servo motores, mesa de vácuo em oito setores. A troca de ferramenta é manual, com pinça.
Ela é a escolha certa quando o volume ainda não justifica ATC e o objetivo é sair da seccionadora mais a furadeira mais a tupia para uma máquina só. Dois spindles ajudam bastante aqui: você deixa duas ferramentas montadas — tipicamente uma fresa de contorno e uma broca — e resolve boa parte do trabalho sem parar para trocar.
Os modelos mudam pela área de trabalho: a Start Full 1525 para 1500 x 2500 mm, a Start Full 2030 para chapa inteira de MDF, e a Start Full 2050 para 2000 x 5000 mm, quando entra peça longa.
Quando ela não é suficiente: quando as trocas de ferramenta passam a ser o que mais consome o turno. É o sinal clássico de que chegou a hora do ATC.
Linha Start ATC 10: o primeiro centro de usinagem
A Linha Start ATC 10 é onde o router CNC vira centro de usinagem. Spindle HQD de 9 kW (12 cv) com cone ISO30 a 24.000 RPM e magazine de dez ferramentas: o programa troca sozinho e o operador deixa de ser refém do ciclo.
A diferença no chão de fábrica é maior do que parece no papel. Com dez ferramentas montadas e medidas, uma chapa completa — contorno, furos, cavas, rebaixos — roda sem intervenção. A mesma pessoa carrega a próxima chapa, tira rebarba ou opera a coladeira enquanto isso.
Os modelos são a Start 10 ATC e a Start 10 ATC S, que acrescenta mesa de descarga — item que importa mais do que se imagina quando o operador trabalha sozinho.
Linha Max: ATC no pórtico e deslocamento de 60 m/min
A Linha Max sobe dois degraus ao mesmo tempo. O magazine passa a doze ferramentas no pórtico, viajando junto com o cabeçote, e o servo vai a 1500 W com deslocamento de 60 m/min.
O magazine no pórtico é o detalhe que separa uma máquina de produção de uma máquina que produz às vezes. Com magazine fixo num canto da mesa, cada troca é uma viagem de ida e volta do cabeçote atravessando a máquina inteira. Em chapa com muitas operações, essa viagem repetida vira minutos por chapa e horas por semana. Com ATC no pórtico, a troca acontece onde o cabeçote está.
Os modelos escalam pela automação de carga e descarga: Max 12 ATC com empurrador de chapa, Max S 12 ATC somando esteira de descarga e Max XS 12 ATC com lift de carga e esteira.
Linhas New Pro 12 e New Pro 16: produção em série
As linhas New Pro 12 e New Pro 16 são para quem já não discute se vale a pena ter router CNC — discute quantas chapas por turno. Magazine maior, bomba de vácuo mais robusta e configurações com lift carregador, esteira de descarga e etiquetadora.
É aqui que entram itens que só fazem sentido em volume: etiquetagem de peças para que o nesting não vire adivinhação na montagem, e automação de carga que tira o operador do ciclo da máquina.
Linha Nesting: a chapa como unidade de produção
A Linha Nesting é router CNC otimizada para o método nesting: a chapa inteira entra, sai com todas as peças cortadas, furadas e cavadas, e o próximo ciclo já começa. Lift carregador automático, etiquetadora e descarga fazem parte do projeto, não são acessório.
A escolha entre Max/New Pro e Nesting não é de qualidade, é de fluxo: se o gargalo da sua fábrica é carga e descarga de chapa, é para lá que o investimento deve ir.
Linha Hybrid: mesa longa, tubo e comunicação visual
A Linha Hybrid resolve um problema diferente: peça comprida. Mesa de 5 metros, dois spindles (um refrigerado a água e um a ar) e usinagem de tubos de até 100 x 5000 mm.
É a máquina de quem trabalha com comunicação visual, esquadria de alumínio, ACM e peça que não cabe numa mesa de chapa. Para marcenaria de móvel planejado, ela é grande demais para o uso; para serralheria e sinalização, é o formato certo.
Comparando de uma vez
Linha
Troca de ferramenta
Perfil de uso
Start Full
Manual, dois spindles
Entrada no CNC, volume baixo e médio
Start ATC 10
ATC 10 ferramentas
Primeira máquina que roda sem operador em cima
Max
ATC 12 no pórtico
Produção diária, muitas operações por chapa
New Pro 12 / 16
ATC ampliado
Série, dois turnos, automação de carga
Nesting
ATC + lift + etiquetadora
Chapa como unidade, fluxo contínuo
Hybrid
Dois spindles, mesa longa
Comunicação visual, esquadria, tubo
Os três erros de escolha que mais aparecem
Comprar pela área de trabalho. Mesa maior não produz mais; produz peça maior. Quem compra mesa de 2000 x 5000 mm para cortar chapa de MDF paga por curso que nunca vai usar e ainda perde tempo de deslocamento.
Comprar ATC sem preparar a exaustão. Magazine de doze ferramentas com coletor de pó subdimensionado entrega acabamento ruim e ferramenta com metade da vida. A exaustão não é acessório da máquina, é parte dela.
Deixar a instalação elétrica para depois. Quadro mal dimensionado e aterramento improvisado são a causa número um de parada em máquina nova. É a parte mais barata do projeto e a que mais gera dor de cabeça quando é ignorada.
Como ler a ficha técnica de um router CNC sem se perder
Ficha técnica de router CNC é uma lista longa em que três ou quatro linhas decidem quase tudo. Vale saber quais são.
As duas velocidades não medem a mesma coisa. A velocidade de trabalho (G1) é o teto de avanço com a fresa dentro do material — quem manda no valor usado é o material, a fresa e a potência do spindle. O deslocamento (G0) é a velocidade da máquina indo de um ponto ao outro no ar. Numa chapa de nesting com dezenas de peças e centenas de furos, a soma dos G0 pesa mais no tempo total do que a velocidade de corte. Duas máquinas com o mesmo G1 e G0 de 30 e 60 m/min entregam quantidades bem diferentes por turno.
Precisão e repetibilidade são coisas distintas.Repetibilidade é a máquina voltar sempre ao mesmo ponto; precisão de posicionamento é chegar no ponto que foi pedido. Em marcenaria, quem garante que a peça 500 encaixa igual à primeira é a repetibilidade. Erro constante se corrige por compensação; erro que muda a cada ciclo, não.
A bomba de vácuo tem dois números e eles respondem perguntas diferentes. O vácuo, em kPa, é a força que segura a peça parada. A vazão, em m³/h, é a rapidez com que a bomba repõe o ar que vaza. Em MDF cru, que é poroso e vaza o tempo todo, a vazão costuma pesar mais — e é ela que segura a peça pequena depois que o contorno fecha e ela se separa da chapa.
Servo, não passo. Todas as linhas de router CNC da Etools usam servo motor. Vale saber por quê: o motor de passo recebe pulsos e assume que se moveu; se a fresa travar num nó ou o avanço estiver alto demais, ele perde passo e a máquina segue o programa achando que está no lugar certo. Você descobre com a chapa inteira errada na mão. O servo sabe onde está, corrige sozinho e, quando não consegue, para e alarma.
Um caminho de upgrade que não joga dinheiro fora
A pergunta que vem junto com "qual router CNC escolher" costuma ser "e se eu crescer?". Vale pensar a compra em duas etapas.
Quem está saindo do processo manual raramente erra comprando uma Start Full ou uma Start ATC 10: são máquinas que continuam úteis mesmo quando uma segunda, maior, entra na fábrica. A primeira vira a máquina de peça avulsa, protótipo e serviço rápido — que é justamente o que atrapalha a produção em série quando existe uma máquina só.
O que costuma sair caro é o contrário: comprar pequeno demais para o volume que já existe hoje. Máquina no limite roda dois turnos, desgasta mais rápido e não deixa janela para manutenção preventiva. O ponto de equilíbrio é comprar para o volume atual com folga de 30% a 40%, não para o volume dos sonhos.
O que preparar antes da máquina chegar
Independentemente do modelo, quatro itens precisam estar prontos no dia da entrega, e nenhum deles é da máquina:
Energia trifásica dimensionada. Some spindle, bomba de vácuo, coletor de pó e o restante — e dimensione o quadro com folga para o pico de partida.
Aterramento com haste própria. É a causa mais comum de queima de inversor, e não é defeito de equipamento.
Piso que aguente. Um centro de usinagem passa de 2.000 kg. Piso que acomoda tira o esquadro da máquina ao longo dos meses.
Exaustão dimensionada. Diâmetro de tubo e vazão calculados, não improvisados. Cavaco acumulando na curva do tubo é sintoma de duto subdimensionado.
O que não muda entre os modelos
Independentemente da linha, o pacote inclui instalação, treinamento da equipe e suporte técnico no Brasil, com peças de reposição em estoque nacional. Isso pesa mais na conta do que a maioria das especificações: máquina parada esperando peça importada custa mais caro que a diferença de preço entre dois modelos.
Se você está entre duas linhas, o caminho mais rápido é comparar as fichas técnicas lado a lado no hub de router CNC e conversar com quem instala — a decisão costuma se resolver com duas perguntas sobre o seu volume real.
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FAQ
Perguntas frequentes
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Depende do volume, não do orçamento. Quem processa poucas chapas por mês e faz poucas operações por peça resolve com a Linha Start Full, de troca manual e dois spindles. Quando as trocas de ferramenta passam a consumir o turno, a Linha Start ATC 10 é o degrau seguinte: com magazine de dez ferramentas, a chapa roda inteira sem o operador em cima.
Uma folga de 30% a 40% sobre o volume atual é saudável; acima disso vira capital parado. Comprar no limite do volume de hoje é o erro oposto e sai mais caro: a máquina roda dois turnos, desgasta mais rápido e não sobra janela para manutenção preventiva.
O ATC no pórtico viaja junto com o cabeçote, então a troca acontece onde ele está, em poucos segundos. O ATC fixo fica parado num canto da mesa e obriga o cabeçote a atravessar a máquina a cada troca. Em chapa com muitas operações, essa viagem repetida vira minutos por chapa e horas por semana.
Quatro itens, e nenhum é da máquina: energia trifásica com quadro dimensionado para o pico de partida, aterramento com haste própria, piso que aguente mais de duas toneladas e exaustão com vazão e diâmetro de tubo calculados. É a parte mais barata do projeto e a que mais causa parada quando é improvisada.
Não em tudo. A seccionadora ganha em corte reto repetido e em pacote de chapas. O router CNC ganha em peça não retangular, em furo fora de padrão e em produção variada, porque entrega a peça com todas as operações concluídas. Fábricas maiores usam as duas.