Colagem de borda em peça curva: o que a coladeira reta não faz
Tampo redondo, canto arredondado e porta curva não passam pela coladeira de linha reta. Como funciona a colagem em curva, EVA ou PUR, e a diferença entre a EN 620 e a EN 700.
Por Diego · 03 de setembro de 2026 · 5 min de leitura
O que a coladeira reta não faz
Numa coladeira reta a peça corre em linha: entra por um lado, passa pelos grupos e sai pelo outro, sempre reto. É por isso que ela é rápida — e é por isso que curva ela não faz.
Tampo de mesa redondo, bancada com canto arredondado, porta curva, raio pequeno: nada disso passa pela linha reta. E aí a peça vai parar na bancada, para alguém colar a fita à mão, com ferro ou cola de contato, e refilar com formão ou tupia manual.
O resultado depende da mão do dia. Em peça aparente, isso é a diferença entre um móvel que parece industrial e um que parece remendado.
Como funciona a colagem em curva
Na coladeira de bordas curvas o operador conduz a peça acompanhando o contorno, e a máquina cuida do resto: o avanço, a temperatura da cola e o refilo.
É uma divisão de trabalho diferente da coladeira automática. A máquina não decide o caminho — quem decide é o operador, seguindo a curva. Mas ele não precisa controlar temperatura, dosagem nem corte, que é justamente onde o trabalho manual falha.
Na prática, isso resolve o problema real da peça curva: a fita assenta com pressão e temperatura constantes ao longo de todo o contorno, e não só onde a mão apertou melhor.
O que a EN 620 e a EN 700 têm em comum
Os dois modelos da Linha EN compartilham a parte que define o acabamento:
Painel touch screen de 7 polegadas com memória para até 20 programas — cada tipo de peça e fita guardado, sem regular tudo de novo a cada troca.
Coleiro para cola EVA e PUR, com temperatura de 110 a 210 °C e reservatório de 2600 ml.
Fita de borda de 0,5 a 3 mm de espessura.
Refilo duplo de 14 a 70 mm (simples abaixo de 14 mm).
Ar comprimido de 0,6 a 0,8 MPa.
Trabalham MDF, madeira maciça, aglomerado e painéis laminados, com fitas de PVC, ABS, melamina, PP e madeira natural folheada.
EVA ou PUR: a escolha que muda a durabilidade
O coleiro aceita as duas colas, e vale entender a diferença antes de padronizar.
A EVA derrete e cola por temperatura. É a cola do dia a dia: mais barata, mais fácil de trabalhar, e resolve a maior parte do móvel de interior.
A PUR cura por reação, não só por resfriamento. Depois de curada, ela não volta a amolecer com calor nem se solta com umidade. É a cola para peça que vai para cozinha, banheiro, área de churrasqueira ou qualquer lugar onde vapor e calor atacam a linha de cola — que é exatamente onde a borda costuma descolar com o tempo.
Se você já teve borda soltando em peça de cozinha, essa é a conversa.
EN 620 ou EN 700
A diferença está em volume e em acabamento automático:
EN 620
EN 700
Potência
5,7 kW
6,5 kW
Avanço
0 a 20 cm/s
0 a 30 cm/s
Faixa de fita
14 a 70 mm
12 a 70 mm
Limpeza
—
4 bicos de spray automático ajustável
Peso
500 kg
700 kg
Dimensões
1500 x 1380 x 860 mm
—
A EN 620 atende a marcenaria que faz peça curva com regularidade, mas não como carro-chefe.
A EN 700 é para quem tem volume de peça curva. Além do avanço maior, o sistema de limpeza com 4 bicos de spray ajustável faz o acabamento que na EN 620 sobra para a bancada — e em volume, é isso que decide se a curva atrasa a produção ou não.
A faixa de fita também muda: a EN 700 desce a 12 mm, útil em peça de espessura menor.
A curva não substitui a reta
Vale dizer com todas as letras, porque a pergunta aparece: a coladeira de bordas curvas não substitui a automática de linha reta.
Ela é mais lenta por peça, porque o avanço acompanha a mão do operador. Numa fábrica que cola centenas de peças retas por dia, usar a curva para tudo seria trocar produção por versatilidade.
As duas convivem: a reta faz o volume de peça reta — nas linhas automáticas, com 5, 6 ou 7 grupos conforme o acabamento que você quer que saia pronto da máquina — e a curva pega o que a reta recusa.
Quem tem só a reta hoje termina a peça curva na bancada. Quem tem as duas para de recusar projeto com raio.
Onde a peça curva costuma dar problema
Raio muito fechado. Cada máquina tem um limite prático de raio. Vale testar com a sua peça real antes de fechar, não com a peça do catálogo.
Fita grossa em raio pequeno. Fita de 3 mm não acompanha curva fechada como a de 1 mm. Espessura e raio precisam ser decididos juntos.
Peça pequena demais. Peça curta tem pouco apoio para conduzir com firmeza.
Temperatura errada para a fita. A faixa de 110 a 210 °C existe porque PVC, ABS, melamina e folheado não pedem o mesmo. É o tipo de coisa que vale gravar nos 20 programas do painel, em vez de reajustar por memória.
Como decidir
Conte quantas peças com raio você faz por mês — e quantas você já recusou por não conseguir fazer.
Veja onde essas peças vão parar: cozinha e banheiro puxam a conversa para a cola PUR.
Se a peça curva é ocasional, a EN 620 resolve. Se ela é rotina, o avanço e a limpeza automática da EN 700 se pagam.
Leve uma peça sua para testar o raio real antes de fechar.
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Não. Na coladeira reta a peça corre em linha, e curva ela não faz. Tampo redondo, bancada com canto arredondado e porta curva acabam na bancada, coladas à mão com ferro ou cola de contato e refiladas com formão ou tupia manual.
O operador conduz a peça acompanhando o contorno e a máquina cuida do avanço, da temperatura da cola e do refilo. A fita assenta com pressão e temperatura constantes ao longo de todo o contorno, e não só onde a mão apertou melhor.
A EVA derrete e cola por temperatura: é a do dia a dia, mais barata, e resolve a maior parte do móvel de interior. A PUR cura por reação e, depois de curada, não volta a amolecer com calor nem se solta com umidade — é a cola para cozinha, banheiro e área de churrasqueira, onde a borda costuma descolar com o tempo.
A EN 620 tem 5,7 kW, avanço de 0 a 20 cm/s, fita de 14 a 70 mm e 500 kg. A EN 700 sobe para 6,5 kW, avanço de 0 a 30 cm/s, fita de 12 a 70 mm, 700 kg e traz sistema de limpeza com 4 bicos de spray automático ajustável — o acabamento que na EN 620 sobra para a bancada.
Não substitui. Ela é mais lenta por peça, porque o avanço acompanha a mão do operador. As duas convivem: a reta faz o volume de peça reta e a curva pega o que a reta recusa.