O que é uma coladeira de bordas e o que acontece com a peça dentro dela
A coladeira de bordas cola a fita no topo da chapa cortada e deixa a peça pronta para montar. Veja o que cada grupo da máquina faz com a peça, que cola usar e a diferença entre coladeira manual, automática e curva.
Por Diego · 16 de setembro de 2026 · 6 min de leitura · revisado em 13 de setembro de 2026
Para que serve a coladeira de bordas
Quando a chapa de MDF ou MDP é cortada, o topo fica à mostra: miolo cru, que puxa umidade, esfarela no MDP e não tem acabamento nenhum. A fita de borda cobre esse topo — uma tira de PVC, ABS, melamina, PP ou lâmina de madeira, na cor do painel.
A coladeira de bordas é a máquina que cola essa fita. Ela aplica a cola quente, aperta a fita contra o topo e, na automática, faz também o acabamento: corta a sobra das pontas, deixa a fita rente às faces, tira a aresta viva e limpa o fio de cola.
Sem ela, a borda é colada na bancada: ferro de passar ou cola de contato, estilete e lixa. Dá resultado, mas depende da mão do dia — e a borda é a primeira coisa que o cliente olha no móvel pronto.
Manual, automática ou curva
Coladeira de bordas é o nome de três máquinas bem diferentes.
Manual. O operador conduz a peça pela máquina, que aplica a cola e a fita. Na maioria delas, o corte das pontas e o refilo ficam para depois, na bancada. É a porta de entrada de muita marcenaria — e o gargalo dela quando o volume cresce.
Automática de linha reta. A peça entra numa esteira por um lado, passa pelos grupos de trabalho em sequência e sai do outro colada e acabada. É a máquina da produção em série de peça reta. As da Linha EC da Etools têm de 5 a 7 grupos.
Curva. Para tampo redondo, canto arredondado e porta curva, que não passam na linha reta. O operador conduz a peça pelo contorno e a máquina cuida da temperatura, do avanço e do refilo. O assunto tem um texto só dele: colagem de borda em peça curva.
O caminho da peça dentro da coladeira automática
Numa coladeira de seis grupos como a EC6 Max S30, a peça atravessa oito etapas em ordem — os dois sprays trabalham junto dos grupos. Cada etapa resolve um problema que dá para ver na borda quando ela falta.
As oito etapas da peça numa coladeira automática de seis grupos
Pré-limpeza. Um spray tira poeira e gordura do topo. Cola não pega em cima de pó — por isso ele abre a fila.
Tupia de entrada. Duas fresas diamantadas aplainam o topo. A serra deixa pequenas ondas e lascas, e a fita copia o que está embaixo dela: onde o painel ondula, a linha de cola abre.
Coleiro e rolos pressores. O coleiro espalha a cola e seis rolos apertam a fita um atrás do outro, enquanto ela ainda está quente. É essa pressão contínua que evita bolha no meio e ponta levantada.
Aparador de topo. A fita sai da bobina mais comprida que a peça, de propósito. As serras cortam a sobra rente, na frente e atrás.
Refilador. A fita também é mais larga que a espessura da chapa, para cobrir o topo inteiro. As fresas tiram a sobra de cima e de baixo.
Raspador. A fresa do refilo deixa ondinhas na quina da fita. As lâminas do raspador apagam essas marcas e tiram a aresta viva, que corta a mão de quem monta.
Spray de limpeza. Sempre escapa um fio de cola na junção da fita com a chapa. O spray dissolve esse resíduo antes do polimento.
Polidor. Discos de tecido tiram o embaçado. A peça sai pronta para montagem, sem ninguém encostar lixa nela.
Numa coladeira de 5 grupos, como a EC5 Max S30, a etapa que fica de fora é a tupia de entrada. Na de 7, a EC7 Max, o refilo é dividido em duas fresas: a primeira tira o grosso e a segunda dá o perfil, o que segura a quina uniforme com fita grossa.
A cola: EVA, PUR ou PO
A cola é escolhida pelo lugar onde o móvel vai ficar.
EVA é a hot melt do dia a dia: derrete, cola ao esfriar, custa menos, e a sobra do reservatório volta a ser usada. Resolve a maior parte do móvel de interior.
PUR cura com a umidade do ar e, depois de curada, não amolece com calor nem solta com vapor. É a cola do armário de banheiro e do balcão de cozinha. Em troca, custa mais e o reservatório tem que ser limpo todo dia — ela endurece dentro do sistema.
PO é a poliolefina: aplicada quente como a EVA, sem a cura química da PUR. Fica entre as duas — segura mais calor e umidade que a EVA, com linha de cola mais fina, e sem a rotina de limpeza que a PUR cobra.
Nas coladeiras da Linha EC, o coleiro de dois estágios aceita as três. A escolha é a cada trabalho, não na hora de comprar a máquina.
A fita de borda
A fita vem em bobina, em PVC, ABS, melamina, PP ou madeira natural. Duas medidas importam na hora de escolher a máquina:
Largura. Tem que cobrir a espessura da chapa com sobra para o refilo. Na Linha EC, de 10 a 60 mm.
Espessura. A fina costuma ir na peça interna; a grossa, de 2 e 3 mm, vai na frente de gaveta, na porta e no tampo, onde a borda leva batida. A Linha EC trabalha de 0,4 a 3 mm.
O que decide se a borda fica boa
Quando a borda sai ruim, a causa costuma estar numa destas cinco coisas:
Topo sujo ou ondulado. Pó impede a cola de pegar; a onda da serra abre a linha de cola. É o trabalho da pré-limpeza e da tupia.
Temperatura da cola. Cada cola e cada fita têm a sua faixa. Fora dela, a fita não pega ou a cola escorre.
Pressão. Os rolos precisam apertar enquanto a cola ainda está quente. Pressão mal regulada dá ponta solta e bolha.
Furo que vem da CNC. Peça cortada em nesting chega com o furo de dobradiça pronto. Coladeira comum passa cola e fita por cima, e alguém abre o furo na mão depois. O copiador nesting enxerga esses furos e não aplica nada sobre eles.
Peça estreita. Ripa de 30 mm torce na esteira e a fita sai fora de esquadro. O dispositivo de peças estreitas segura as ripas alinhadas até o coleiro.
Onde a coladeira entra na fábrica
Na produção de móveis, ela fica entre o corte e a montagem: a chapa é cortada na esquadrejadeira ou na router CNC, a peça passa pela coladeira e segue para a furação e a montagem. Na EC6 Max S30 Drill Side, a furação de topo — os furos da lateral, onde entram a cavilha e o dispositivo de montagem — acontece dentro da própria coladeira, na mesma passagem.
7 grupos com refilo em duas etapas, colas EVA, PUR e PO, copiador nesting e 22 m/min: a coladeira mais completa da linha, para colar borda o dia inteiro.
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FAQ
Perguntas frequentes
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É a máquina que cola a fita de borda no topo da chapa cortada de MDF, MDP ou madeira. Ela aplica a cola quente e aperta a fita; a automática também corta as sobras, refila, raspa e pole, e a peça sai pronta para montar.
Na manual, o operador conduz a peça e a máquina aplica cola e fita; o acabamento costuma ficar para a bancada. Na automática, a peça entra numa esteira, passa pelos grupos em sequência e sai colada, com as pontas cortadas, refilada e polida.
PVC, ABS, melamina, PP e madeira natural. Nas coladeiras automáticas da Linha EC, a fita vai de 10 a 60 mm de largura e de 0,4 a 3 mm de espessura.
EVA para o móvel de interior do dia a dia; PUR para cozinha, banheiro e onde tem vapor e calor, porque depois de curada ela não amolece nem solta; PO quando você quer mais resistência que a EVA sem a limpeza diária do reservatório que a PUR exige.
Para aplainar o topo da chapa antes da fita. A serra deixa pequenas ondas e lascas, e a fita copia o que está embaixo dela: onde o topo ondula, a linha de cola abre. A tupia tira essa casquinha e entrega uma superfície reta.
Não. Tampo redondo, canto arredondado e porta curva vão para a coladeira de bordas curvas, em que o operador conduz a peça pelo contorno e a máquina cuida da temperatura, do avanço e do refilo.