"Quanto custa um router CNC?" é a pergunta que mais chega na Etools, e é a que menos tem resposta pronta. Não por segredo: é porque duas máquinas com a mesma mesa de 2000 x 3000 mm podem ser equipamentos muito diferentes por dentro, e o preço acompanha o que está dentro.
Este guia não traz tabela de preço, e o motivo vem logo abaixo. O que ele traz é o que de fato move o valor de um router CNC, o que vem dentro do preço e o que fica de fora, e como colocar dois orçamentos lado a lado sem comparar coisas diferentes. No fim, a lista do que mandar para receber um orçamento certo na primeira tentativa.
Por que não existe "o preço" de um router CNC
Três motivos, e nenhum é desculpa de vendedor.
A configuração muda mais que o tamanho. Quem pergunta o preço costuma perguntar pelo tamanho da mesa, como se fosse metro quadrado de piso. Mas a mesa é a parte mais barata de mudar. O que pesa é o que está montado nela: se a ferramenta troca na mão ou sozinha, quanto o spindle puxa, se o servo é de 750 W ou de 1500 W, se a chapa entra na mão ou por lift. A mesma área de 2000 x 3000 mm existe em máquina de entrada e em centro de usinagem para dois turnos.
A máquina é importada. O preço nasce em moeda estrangeira e vira real na data do fechamento. Uma tabela publicada hoje está errada no mês que vem, para cima ou para baixo.
Frete e instalação dependem de onde você está. Uma máquina com ATC passa de 2.000 kg. Entregar a 100 km do centro de distribuição não custa o mesmo que entregar do outro lado do país, e descarregar num galpão sem empilhadeira e com porta estreita também não.
Por isso o valor sai em orçamento. Mas dá para chegar no orçamento sabendo o que você está pedindo, e é isso que evita pagar por item que não vai usar.
O que faz o preço subir, na ordem em que pesa
1. Como a ferramenta é trocada
É o maior degrau de preço em qualquer linha de router CNC, e é o que mais muda o turno.
Na máquina de troca manual, a fresa fica presa numa pinça ER32: o operador para a máquina, solta a porca, troca a fresa, mede a altura e segue. Na máquina com troca automática de ferramentas (ATC), cada ferramenta fica montada num cone ISO30 dentro de um magazine, e o programa troca sozinho em segundos.
O que você está pagando no ATC: um spindle com pinça pneumática que solta e prende o cone, o magazine com os cones, os sensores que confirmam a troca, o apalpador que mede a ferramenta e a parte pneumática de tudo isso. É bastante coisa, e é por isso que o salto de preço é grande.
O que você recebe: uma chapa com contorno, furo de cavilha, furo de dobradiça, cava de puxador e rebaixo roda inteira sem ninguém em cima. Se o seu trabalho leva três ou mais fresas por peça, é aqui que o dinheiro rende. Se é contorno e furo de dobradiça, a troca manual resolve e sobra dinheiro para outra coisa.
Dentro do ATC existe mais um degrau: magazine fixo num canto da mesa ou magazine viajando no pórtico, junto com o cabeçote. O do pórtico custa mais porque o pórtico precisa carregar o peso dos cones e da mecânica de troca sem perder velocidade. O que ele devolve é uma troca sem atravessar a mesa a cada fresa.
2. Potência e tipo do spindle
O spindle de 4,5 kW (6 cv) refrigerado a ar dá conta de MDF, MDP, ACM e acrílico. O de 9 kW (12 cv) com cone ISO30 a 24.000 RPM é para quem corta o dia inteiro e usa fresa grande.
O que custa mais no spindle grande não é só o motor. São os rolamentos que aguentam 24.000 RPM em regime contínuo, a refrigeração, o inversor de frequência maior e o quadro elétrico dimensionado para ele. E o cone ISO30 existe justamente para a troca automática: spindle grande e ATC costumam andar juntos.
A Linha Start Full resolve isso de outro jeito: dois spindles de 4,5 kW lado a lado. Você deixa uma fresa de contorno em um e uma broca no outro, e boa parte do trabalho roda sem troca. É uma forma de ganhar tempo sem pagar o degrau do ATC.
3. Servo motor e velocidade
Todas as linhas de router CNC da Etools usam servo motor, não motor de passo. O que muda entre elas é a potência do servo e a velocidade que ele entrega: 750 W com 40 m/min de deslocamento na entrada, 1500 W com 60 m/min na Linha Max, 90 m/min nas New Pro.
Deslocamento é a velocidade com que a máquina anda no ar, de um furo para o outro (G0). Numa chapa de nesting com dezenas de peças e centenas de furos, a soma desses deslocamentos pesa mais no tempo total que a velocidade de corte. Servo mais forte custa mais porque vem com driver maior, redutor planetário e uma estrutura mais pesada, que precisa aguentar a aceleração sem vibrar. O que ele devolve é chapa por turno.
Se a máquina vai rodar meio turno, a diferença de velocidade não paga o degrau. Se vai rodar dois turnos, é o degrau que mais compensa.
4. Automação de carga e descarga
Empurrador de chapa, esteira de descarga, lift carregador e etiquetadora são, cada um, uma máquina dentro da máquina: motores, sensores, CLP, estrutura. É por isso que a mesma Linha Max tem três modelos com preço em degraus.
O critério é simples: automação se paga quando o gargalo da fábrica é carregar e descarregar chapa, não cortar. Se o operador consegue tirar as peças e colocar a chapa seguinte enquanto a máquina termina, o lift é capital parado. Se a máquina fica esperando gente, ele é o item que mais rende.
5. Área de trabalho
Mesa maior custa mais em estrutura, guias, cremalheira, mesa de vácuo e bomba, e é o item que mais gente compra errado.
Chapa inteira de MDF é 1840 x 2750 mm: uma mesa de 2000 x 3000 mm resolve. A mesa de 2000 x 5000 mm é para quem corta ACM e acrílico de fachada, e a mesa de 5 a 8 metros da Linha Hybrid é para comunicação visual, esquadria e tubo. Comprar mesa de 5 metros para cortar MDF é pagar por curso que a máquina nunca vai percorrer e ainda perder tempo de deslocamento em cada chapa.
6. Mesa de vácuo e bomba
Os dois números da bomba, vácuo em kPa e vazão em m³/h, decidem se a peça pequena fica no lugar depois que o contorno fecha e ela se separa da chapa. A mesa setorizada em 8 ou 9 setores deixa você ligar só a área onde a chapa está, em vez de puxar vácuo na mesa inteira. Nas linhas profissionais entra a bomba Becker, que custa mais e aguenta o regime contínuo de dois turnos.
O comando não entra nessa lista porque não muda: Syntec em todas as linhas, lendo o código G que sai do Promob, do Dinabox ou do software que você já usa. Não há licença extra da Etools no preço.
O que vem dentro do preço
Na Etools, o valor da máquina inclui a instalação, o treinamento da equipe, a garantia de fábrica e o suporte técnico no Brasil, com peça de reposição em estoque nacional. Isso importa na comparação porque nem todo orçamento é montado assim: existe orçamento em que a máquina é uma linha e a instalação é outra, e existe orçamento em que a instalação não existe.
Confirme também como fica o frete e a descarga da máquina no seu galpão. Não é item de máquina, mas é item de conta.
O que fica de fora do preço, em qualquer fornecedor
É a parte que mais surpreende depois da compra. Nenhum destes itens é da máquina, e todos precisam estar prontos no dia da entrega:
- Energia trifásica e quadro dimensionado. Some spindle, bomba de vácuo, coletor de pó e o resto, com folga para o pico de partida. Quadro no limite e aterramento improvisado são a causa mais comum de inversor queimado em máquina nova, e isso não é defeito de fábrica.
- Aterramento com haste própria. Barato de fazer antes, caro de descobrir depois.
- Ar comprimido. Máquina com ATC troca ferramenta e limpa o cone com ar. Compressor com vazão de folga, filtro coalescente e secador entram na conta, e o filtro é o que impede óleo e água de chegar no cone da ferramenta.
- Exaustão. Coletor de pó e dutos dimensionados. Sem sucção, a fresa corta o mesmo cavaco duas vezes, esquenta e perde o fio, e o MDF sai com a borda queimada. A exaustão é parte da máquina, mesmo vindo em outra nota.
- Piso. Um centro de usinagem passa de 2.000 kg. Piso que cede tira o esquadro da máquina ao longo dos meses.
- Ferramenta e consumível inicial. Jogo de fresas por operação, chapa de sacrifício, vedação de mesa.
Quem monta a conta com esses itens desde o começo não tem surpresa. Quem descobre depois costuma atrasar a partida da máquina em semanas, com a máquina já paga.
Etiqueta baixa e custo alto: o que a comparação esconde
Um router CNC vindo direto do exterior costuma sair mais barato na etiqueta. O que não aparece na etiqueta: a peça que quebra e leva semanas para chegar, o técnico que não existe, o manual em inglês, a garantia que ninguém honra e a NR-12. A máquina que sai de fábrica em conformidade entrega parte do caminho; a instalação, o entorno e o procedimento de trabalho são responsabilidade sua, e uma máquina que chega sem proteção nenhuma joga tudo isso no seu colo.
Na hora de comparar, coloque na mesma coluna o que cada fornecedor faz quando a máquina para. Uma semana de máquina parada esperando peça custa mais que a diferença de preço entre dois modelos da mesma faixa.
Como comparar dois orçamentos
Dois orçamentos só se comparam quando descrevem a mesma máquina. Antes de olhar o total, confira linha por linha:
| Item | O que perguntar |
|---|
| Spindle | Potência em kW, refrigeração (ar ou água), tipo de cone (ER32 ou ISO30) |
| Troca de ferramenta | Manual ou ATC, quantas posições, magazine fixo ou no pórtico |
| Servo | Potência em W e velocidade de deslocamento em m/min |
| Bomba de vácuo | Marca, vazão em m³/h e vácuo em kPa; quantos setores na mesa |
| Comando | Qual é, e se lê o código G do software que você já usa |
| Automação | O que está incluso: empurrador, esteira, lift, etiquetadora |
| Instalação e treinamento | Inclusos ou à parte; quantos dias; quem faz |
| Frete e descarga | Inclusos ou à parte; quem descarrega |
| Peças e assistência | Estoque no Brasil ou importação a cada chamado; quem atende e de onde |
| NR-12 | Como a máquina chega e o que fica por sua conta |
| Garantia e prazo | Prazo de garantia e prazo de entrega, por escrito |
Se um orçamento não responde a uma dessas linhas, pergunte antes de comparar o total. Quase sempre a diferença de preço está numa linha que faltou.
Quanto a máquina precisa produzir para se pagar
A conta que interessa não é o preço, é quantas chapas por mês pagam a parcela. Ela se faz com os seus números, não com os do catálogo:
- Quanto você paga hoje por chapa processada. Se terceiriza o corte, é o valor da nota. Se corta na seccionadora, fura na furadeira e acaba na tupia, é hora de gente, refugo e retrabalho somados e divididos pelas chapas do mês.
- Quanto vai custar a chapa na sua máquina. Energia, fresa, insumo, manutenção e operador, divididos pelas chapas que a máquina vai processar de fato.
- A diferença entre os dois, vezes as chapas do mês, é o que sobra para pagar a parcela.
Se a diferença cobre a parcela com folga no volume que você tem hoje, a máquina se paga. Se só cobre no volume que você espera ter, o risco é seu, e vale olhar um degrau abaixo. E como o router CNC muda a produção por turno, não só o custo por peça, vale ler o que muda na prática em como uma router CNC muda a produtividade na marcenaria.
O que mandar para receber um orçamento certo
Quem manda estas informações recebe o orçamento da máquina certa na primeira rodada, em vez de um orçamento genérico que vai e volta três vezes:
- Chapas por mês, hoje. As que saem, não as que você gostaria.
- Material e espessura. MDF, MDP, compensado, ACM, acrílico, alumínio.
- Tamanho da chapa que você compra.
- Operações por peça. Só contorno e furo, ou contorno, cavilha, dobradiça, cava e rebaixo.
- Software que você usa. Promob, Dinabox, outro.
- Energia disponível. Trifásica ou não, tensão, o que mais já está ligado no quadro.
- Espaço e acesso. Pé-direito, porta, se tem empilhadeira.
- Quem vai operar. Já operou CNC ou vai aprender.
- Prazo. Quando a máquina precisa estar cortando.
Qual linha entra em cada degrau
Sem número, mas na ordem de investimento:
- Linha Start Full: o menor investimento com servo e comando Syntec. Dois spindles de 4,5 kW e troca manual, para quem está saindo do processo manual.
- Linha Start ATC 10: o primeiro degrau do ATC. Spindle de 9 kW com cone ISO30 e magazine de dez ferramentas.
- Linha Max: servo de 1500 W, 60 m/min e magazine de doze no pórtico, com modelos que escalam por automação de carga e descarga.
- Linha New Pro 12 e New Pro 16: 90 m/min, bomba Becker, lift, esteira e etiquetadora, para dois turnos.
- Linha Hybrid: mesa de 5 a 8 metros e tubo, para comunicação visual e esquadria.
As fichas técnicas ficam lado a lado no hub de router CNC.
Conclusão
O preço de um router CNC é a soma de degraus: troca de ferramenta, spindle, servo, automação e mesa, nessa ordem de peso. Peça o orçamento com as suas chapas por mês e as operações por peça na mão, e compare linha por linha o que cada fornecedor inclui, principalmente instalação, peça no Brasil e assistência. A máquina mais barata na etiqueta é a que custa mais caro parada.