Tipos de corte na router CNC: contorno, pocket, canal, furo, V e relevo
Toda peça que sai da router é feita de poucas operações: contorno, pocket, canal, furo, fresamento em V e relevo. Veja o que cada uma faz, que ferramenta pede, onde aparece no móvel e os erros que mais estragam a peça.
Por Diego · 15 de setembro de 2026 · 6 min de leitura · revisado em 13 de setembro de 2026
A peça é uma soma de operações
No software de CAM, ninguém desenha "uma porta de cozinha". Desenha um contorno para soltar a porta da chapa, um furo para a dobradiça e, se tiver, uma cava para o puxador. Cada operação tem nome, ferramenta e parâmetro próprios, e o G-code que chega na máquina é essa lista em sequência.
Conhecer as operações ajuda em duas coisas: entender por que uma peça saiu com defeito e saber quantas ferramentas o seu móvel pede — que é o que decide se você precisa de troca automática de ferramenta.
As fresas em si — upcut, downcut, compressão, V-bit, ponta esférica — estão em o que uma router CNC faz na madeira. Aqui o assunto é o que a ferramenta faz com a peça.
1. Contorno: soltar a peça da chapa
O contorno é a fresa seguindo a linha da peça até atravessar a chapa. Pela borda externa, ele solta a peça; pela interna, abre uma janela, um vazado, o recorte da cuba no tampo.
Contorno externo solta a peça; o interno abre o vazado
Três detalhes decidem se o contorno sai certo:
Lado da linha. A fresa tem diâmetro. Se ela andar em cima da linha, a peça sai menor meia fresa de cada lado. O CAM — ou o comando, com a compensação de raio — desloca o caminho para fora da linha no contorno externo e para dentro no interno.
Canto interno. A fresa é redonda, então o canto interno sai com o raio dela: fresa de 6 mm deixa raio de 3 mm. Canto vivo por dentro, a router não faz. Onde um encaixe precisa entrar a 90°, o desenho leva um alívio no canto.
Peça pequena. No fim do contorno, a peça solta da chapa. Se ela for pequena, o vácuo não segura e a fresa arremessa. As tabs — pontes de material que o CAM deixa sem cortar — prendem a peça até o fim e saem depois com um golpe de formão ou uma lixada. A mesa de vácuo setorizada ajuda do outro lado: você liga só a área onde a peça está.
Para a fresa atravessar sem tocar a mesa, a chapa fica sobre uma chapa de sacrifício de MDF cru, e o corte entra alguns décimos nela.
2. Pocket: rebaixo de uma área
O pocket, ou rebaixo, é a fresa esvaziando uma área fechada até uma profundidade, sem atravessar a peça. É a cava do puxador, a almofada da porta provençal, o rebaixo do espelho, o canal da fita de LED, o encaixe de uma ferragem embutida.
A fresa varre a área em passadas lado a lado. A distância entre uma passada e outra é o stepover: 40% do diâmetro deixa o fundo liso; 80% é rápido e deixa listras. Para começar sem marcar o fundo, a fresa desce em rampa ou em hélice, em vez de furar reto para baixo.
O pocket é onde a chapa faz diferença: o fundo sai firme no MDF e esfarela no MDP. A comparação está em diferença entre MDF e MDP.
3. Canal: o pocket estreito e comprido
Canal, ou rasgo, é o pocket na largura da fresa, seguindo uma linha. É o canal do fundo de gaveta e de armário, onde a chapa fina encaixa. É também o canal do painel ripado e do canaletado de loja, repetido em sequência.
Pocket da cava e canal do fundo de gaveta
O canal de fundo sai do mesmo programa do contorno, na mesma fixação. Por isso ele cai sempre na mesma distância da borda, e o fundo entra sem forçar na montagem.
4. Furação
A broca desce na vertical e abre o furo na face da peça. Na marcenaria, os furos que mais saem da router são:
Dobradiça: o furo de 35 mm na porta, onde entra o caneco.
Dispositivo de montagem: o tambor do minifix, na face.
Prateleira e corrediça: as fileiras do Sistema 32, com furo de 5 mm a cada 32 mm.
Furos de face: dobradiça e dispositivo de montagem
O furo na lateral da chapa — a furação de topo, onde entram a cavilha e o pino do minifix — pede broca na horizontal. Ele costuma sair num centro de furação ou numa coladeira com cabeçote de furação, como a EC6 Max S30 Drill Side.
5. Fresamento em V: friso, chanfro, gravação e dobra de ACM
A fresa em V corta em ângulo. Quanto mais fundo ela desce, mais largo fica o risco — é assim que a mesma fresa faz friso fino e chanfro largo.
Na marcenaria, é o friso da porta, o chanfro da borda e a gravação de letra e logotipo. Na comunicação visual, é o fresamento em V do ACM: a fresa tira a lâmina de trás e o miolo, sobra só a lâmina da frente, e a placa dobra na mão ao longo do canal — a 90° com fresa de 90°. Vira caixa, totem ou revestimento sem solda nem emenda.
6. Relevo 3D
No relevo, a fresa de ponta esférica (ball nose) percorre a superfície em passadas muito próximas, subindo e descendo o eixo Z o tempo todo. É a porta com desenho em relevo, o painel decorativo, a peça de artesanato.
É a operação que mais consome máquina: um relevo pode levar horas numa peça que o contorno solta em segundos. Por isso ele se divide em duas etapas — o desbaste com fresa reta, que tira o grosso rápido, e o acabamento com a ponta esférica, com stepover pequeno.
Quantas ferramentas um móvel pede
Operação
Ferramenta típica
Onde aparece
Contorno
Fresa de compressão
Todas as peças do móvel
Pocket
Fresa reta ou de compressão
Cava, almofada, rebaixo de LED
Canal
Fresa reta na largura do canal
Fundo de gaveta, ripado
Furação
Broca
Dobradiça, minifix, Sistema 32
Fresamento em V
V-bit
Friso, chanfro, gravação, dobra de ACM
Relevo 3D
Fresa reta no desbaste, ponta esférica no acabamento
Porta decorativa, painel, artesanato
Uma porta com cava de puxador já passa por três ferramentas: a broca de 35 mm da dobradiça, a fresa da cava e a de compressão do contorno. Sem troca automática, cada troca é o operador parando a máquina, soltando a pinça e acertando a altura da ferramenta.
Com o ATC, o programa pede a ferramenta e a máquina troca sozinha. É a diferença entre a Linha Start Full, com dois spindles, e as linhas com magazine — a Start ATC 10, com 10 ferramentas, e a Linha Max, com 12. O critério é contar quantas ferramentas o seu programa mais comum usa.
Erros que mais estragam a peça
Peça saindo menor que o desenho. Contorno sem compensação: a fresa andou em cima da linha.
Canto interno que não encaixa. Faltou o alívio no canto, e a fresa redonda deixou raio.
Peça pequena arremessada. Sem tabs e com vácuo aberto na mesa inteira.
Face do MDF BP lascada no contorno. Fresa upcut no lugar da de compressão.
Fundo do pocket esfarelado. Pocket em MDP, ou fresa cega.
Marca de mergulho no fundo. A fresa desceu reto em vez de entrar em rampa.
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As operações básicas são o contorno, que solta a peça ou abre um vazado; o pocket, que rebaixa uma área sem atravessar; o canal, um pocket estreito e comprido; a furação; o fresamento em V, para friso, chanfro, gravação e dobra de ACM; e o relevo 3D com fresa de ponta esférica.
É a operação em que a fresa remove todo o material de uma área fechada até uma profundidade definida, sem atravessar a peça. É a cava do puxador, a almofada da porta, o rebaixo da fita de LED e o encaixe de ferragem.
Não. A fresa é redonda e deixa no canto interno o raio dela: fresa de 6 mm, raio de 3 mm. Onde um encaixe precisa entrar a 90°, o desenho leva um alívio no canto.
Para manter a peça pequena presa à chapa até o fim da usinagem. Sem elas, a peça solta no fim do contorno e pode ser arremessada pela fresa. As tabs saem depois, com um golpe de formão ou uma lixada.
Fura. O furo de 35 mm da dobradiça sai na face da porta, no mesmo programa do contorno. Já o furo na lateral da chapa, para cavilha e minifix, pede broca na horizontal e costuma sair num centro de furação.