Troca de ferramenta na router CNC: dois spindles, magazine fixo ou magazine no pórtico
Uma chapa de planejado pede seis, sete ferramentas diferentes. Como cada uma chega ao spindle decide quanto tempo a máquina fica cortando e quanto fica indo e voltando. Os quatro sistemas das routers Etools, o que cada um resolve e quando cada um basta.
Por Diego · 22 de outubro de 2026 · 9 min de leitura
Quantas ferramentas uma chapa de planejado pede
Antes de comparar máquina, conte as ferramentas do seu programa. Uma chapa de cozinha típica passa por:
fresa de corte, que faz o contorno das peças;
fresa de acabamento, quando a borda precisa sair mais limpa ou o desbaste é separado do passe final;
Só aí já são sete ou oito ferramentas, e a lista cresce quando a fábrica usa dois diâmetros de fresa de corte (uma para a peça grande, outra para o canto interno apertado) ou brocas em mais de um diâmetro. É por isso que o jeito como a ferramenta chega ao spindle pesa tanto: ele se repete dezenas de vezes por chapa, todas as chapas do turno.
As routers Etools de chapa resolvem isso de quatro jeitos: dois spindles na Start Full, magazine fixo de 10 na Start 10 ATC, magazine de 12 no pórtico na Max e na New Pro 12, e magazine de 16 no pórtico na New Pro 16.
Cone ISO30 e pinça: quem segura a fresa
Vale separar duas peças que costumam ser confundidas.
A pinça é a bucha que abraça a haste da fresa. Ela tem fendas e fecha quando a porca aperta. A pinça ER32 é a que vem nas Start 10 ATC, Max, New Pro 12 e New Pro 16, e aceita uma faixa de diâmetros de haste.
O cone ISO30 é o suporte onde a pinça e a fresa ficam montadas. É o cone que o spindle agarra e solta. Na máquina com troca automática, cada ferramenta fica montada no seu próprio cone, com a sua pinça, e mora no magazine assim. Quando o programa pede outra ferramenta, o spindle solta o cone inteiro e pega o próximo: ninguém mexe na pinça, ninguém aperta porca. A fresa entra na mesma posição em que foi medida.
Essa é a diferença de fundo entre os sistemas. Com cone, trocar ferramenta é trocar o conjunto montado. Sem cone, trocar ferramenta é desapertar a pinça, tirar a fresa, pôr a outra e medir de novo. A primeira a máquina faz sozinha; a segunda é trabalho de operador, com a máquina parada.
O cone tem uma consequência que pouca gente coloca na conta: você compra um cone e uma pinça por posição do magazine. Numa máquina de 16 posições, são 16 ferramentas montadas e prontas, e cada uma precisa estar balanceada e limpa. O artigo sobre ferramenta desbalanceada mostra o que acontece com o spindle quando essa parte é descuidada.
Dois spindles: a Start Full alterna entre duas ferramentas
A Start Full não tem magazine. Ela tem dois spindles de 4,5 kW a 18.000 RPM no mesmo cabeçote. A fresa de corte fica montada em um e a de acabamento no outro, e o programa alterna entre os dois sem ninguém parar a máquina.
Para o que a máquina se propõe, isso resolve bem: duas ferramentas, troca instantânea, nenhuma viagem. O limite está no número. Da terceira ferramenta em diante, é parada: o operador desaperta a pinça de um dos spindles, troca a fresa e mede a nova antes de seguir. Se a chapa leva corte, furo de dobradiça e canal, ela passa por pelo menos uma troca manual, ou o programa é dividido em duas rodadas com a troca no meio.
Na prática, a Start Full funciona melhor quando a fábrica organiza a produção em torno das duas ferramentas: corta e fura com o que está montado, e deixa o resto para lotes separados. Para painel, peça de contorno e comunicação visual, duas ferramentas cobrem quase tudo.
Magazine fixo: a Start 10 ATC troca sozinha, mas vai até ele
A Start 10 ATC dá o passo seguinte: um spindle só, de 9 kW a 24.000 RPM com cone ISO30, e um magazine de 10 posições com troca automática. As ferramentas ficam numa fileira fixa na estrutura da máquina, ao longo da mesa. Quando o programa pede a próxima, o cabeçote para de cortar, vai até o magazine, deixa o cone que está usando na posição dele, pega o próximo e volta ao ponto onde parou.
Dez posições cabem o programa inteiro de planejado da lista do começo, com folga para duas ou três ferramentas extras. E entra uma peça que faz diferença quando a troca é automática: o probe, o apalpador que mede a ferramenta. Cada fresa e cada broca tem um comprimento diferente no cone; a máquina encosta cada uma no probe, guarda a medida e usa esse número para calcular a profundidade do furo e do rebaixo. Sem ele, cada troca seria uma chance de furar raso ou fundo demais.
O custo do magazine fixo é a viagem. Como as ferramentas estão paradas num ponto da máquina, cada troca tem um trajeto de ida e volta que depende de onde o cabeçote estava. Se o corte estava do lado do magazine, a viagem é curta. Se estava do outro lado da mesa, o pórtico atravessa a chapa duas vezes. Na Start 10 ATC esse trajeto é feito a 40 m/min de deslocamento.
Magazine no pórtico: Max e New Pro levam as ferramentas junto
Na Linha Max e na New Pro 12, o magazine de 12 posições fica no próprio pórtico, ao lado do spindle. Ele viaja com o cabeçote. Quando o programa pede outra ferramenta, a troca acontece onde a máquina está: o spindle solta o cone, pega o próximo a poucos centímetros e volta a cortar. Não existe ida até a ponta da mesa, e o tempo da troca deixa de depender de onde o corte estava.
Na Max, os cones ficam em fila no pórtico, ao lado do spindle. A troca é feita onde o cabeçote está, sem atravessar a mesa.
A New Pro 16 usa o mesmo princípio com 16 posições. As quatro a mais não mudam o jeito de trocar; mudam o que cabe montado. Com 16, a fábrica deixa no magazine dois ou três diâmetros de fresa de corte, as brocas em todos os diâmetros que usa e ainda as ferramentas de cava e gravação, sem tirar nada para pôr outra coisa entre um programa e o seguinte. A comparação direta entre as duas máquinas, ficha contra ficha, está no artigo New Pro 16 ou New Pro 12.
Tem um detalhe que pesa na escolha: o deslocamento também muda junto. A Max anda a 60 m/min fora do corte e as New Pro a 90 m/min, contra os 40 m/min da Start 10 ATC. O magazine no pórtico tira a viagem da troca; o deslocamento mais rápido encurta todas as outras viagens entre uma operação e a próxima.
Quanto a troca pesa no turno, numa conta de exemplo
Faça a conta com os seus números, mas um exemplo dá a ordem de grandeza. Suponha uma chapa de planejado com 20 trocas de ferramenta ao longo do programa, porque o corte, os furos e o canal se alternam conforme as peças. Suponha que, no magazine fixo, cada troca gaste em média 10 segundos a mais por causa da viagem de ida e volta, e que no pórtico essa viagem não exista.
São 200 segundos por chapa, uns 3 minutos e pouco. Numa fábrica que corta 25 chapas por turno, passa de uma hora de máquina andando sem cortar, todo dia. Agora inverta: se a sua chapa típica tem 5 trocas e você corta 8 chapas por dia, a mesma conta dá menos de 7 minutos por dia, e o magazine fixo resolve sem drama.
Os números exatos dependem do seu programa e de onde ficam as peças na chapa. O raciocínio vale sempre: o ganho do magazine no pórtico é proporcional ao número de trocas por chapa vezes o número de chapas por turno. Quem não faz essa conta acaba comprando pelo número de posições, que é só metade da pergunta.
Uma forma de diminuir as trocas em qualquer máquina é programar por ferramenta: fazer todos os furos de 35 mm da chapa, depois todos os de 8, depois os contornos. O pós-processador e o software de nesting cuidam disso. Mas tem limite: a peça pequena precisa ser furada antes de ser solta, e a ordem ideal de corte nem sempre é a ordem que economiza troca. Para fábrica que fura muito, existe ainda o caminho de tirar as brocas do magazine, que é o assunto do artigo sobre o cabeçote de furação.
Quando cada sistema basta
Dois spindles (Start Full) bastam quando a produção gira em torno de duas ferramentas: contorno e acabamento, contorno e um furo, painel, peça de comunicação visual. Também servem para a marcenaria que está começando no CNC e ainda não tem programa com muitas operações. Quando a terceira ferramenta passa a aparecer em toda chapa, as paradas para troca manual começam a custar mais que a máquina economiza.
Magazine fixo de 10 (Start 10 ATC) basta para o planejado com volume moderado: o programa inteiro cabe montado, ninguém troca fresa na mão, e o probe cuida da profundidade. O custo da viagem existe, mas com poucas chapas por dia ele fica em minutos.
Magazine de 12 no pórtico (Max, New Pro 12) entra quando o programa troca muito de ferramenta e a fábrica corta chapa o turno todo. É aí que a viagem do magazine fixo vira a maior fatia do tempo parado, e é aí que tirá-la aparece no fim do dia.
Magazine de 16 no pórtico (New Pro 16) entra quando 12 posições não cabem o que a fábrica usa: mais diâmetros de fresa, mais brocas, ferramentas especiais que hoje vivem sendo trocadas na mão. Cada troca manual pede recadastro no probe, e é no recadastro feito com pressa que sai a peça com profundidade errada.
Qual máquina Etools entra aqui
Para a marcenaria que trabalha com duas ferramentas, a Start Full 2030 recebe a chapa inteira de MDF com dois spindles de 4,5 kW, alternando entre corte e acabamento sem parar. Quem precisa do programa completo de planejado montado na máquina tem a Start 10 ATC, com magazine fixo de 10 ferramentas em cones ISO30, spindle de 9 kW e probe.
Quando as trocas por chapa passam a mandar no turno, o magazine vai para o pórtico: a Max 12 ATC e a New Pro 12 têm 12 posições ao lado do spindle, com 60 e 90 m/min de deslocamento. E para quem precisa de mais ferramenta montada, a New Pro 16 tem 16 posições no pórtico, 90 m/min e a opção de lift e esteira. Se a dúvida é por onde começar, fale com a equipe pelo contato com um programa típico da sua fábrica na mão: a contagem de trocas por chapa decide boa parte da resposta.
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Perguntas frequentes
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A pinça ER32 é a bucha que abraça a haste da fresa e fecha quando a porca aperta. O cone ISO30 é o suporte onde a pinça e a fresa ficam montadas, e é ele que o spindle agarra e solta na troca automática. Com cone, a máquina troca o conjunto inteiro sozinha; sem cone, a troca é desapertar a pinça e montar outra fresa à mão.
Na troca, sim. No magazine fixo o cabeçote vai até o ponto da máquina onde estão as ferramentas e volta; no pórtico, o magazine viaja junto e a troca acontece onde o cabeçote está. A diferença por troca são segundos, e ela só pesa quando o programa troca muito de ferramenta e a fábrica corta chapa o turno inteiro.
Até duas ferramentas, sim: a Start Full alterna entre a fresa de um spindle e a do outro sem parar. Da terceira ferramenta em diante, alguém tem que parar a máquina, trocar a fresa na pinça e medir de novo. Se a sua chapa típica pede corte, furo e canal, a troca automática começa a valer.
Conte as ferramentas do seu programa mais comum e some as que você troca à mão entre um programa e outro. Um programa de planejado com corte, acabamento, dobradiça, dispositivo de montagem, canal e cava já usa seis ou sete. Dez posições cobrem isso com folga; 16 servem para quem usa vários diâmetros de cada família e não quer tirar nada do magazine durante o turno.
Porque cada ferramenta tem um comprimento diferente montada no cone. O probe é o apalpador que mede cada uma e guarda esse número, e a máquina usa a medida para acertar a profundidade do furo e do rebaixo. Sem ele, a troca automática traria junto um erro de profundidade a cada ferramenta nova.