Do Promob ao G-code: o caminho do projeto até a router CNC
O desenho da cozinha não vai direto para a máquina. Entre o projeto e a fresa há quatro etapas, cada uma com seu arquivo, e é onde uma delas se rompe que a peça sai errada. Este artigo segue uma chapa do Promob até o comando Syntec e aponta os cinco lugares onde a cadeia quebra.
Por Diego · 17 de setembro de 2026 · 7 min de leitura
O desenho não vai direto para a máquina
O erro de quem compra a primeira router é achar que o software de projeto que a marcenaria já tem vai programar a máquina. Não vai, não sozinho. O projeto vira lista de peças; a lista precisa virar peça com furação; a peça precisa ser arrumada na chapa; o plano da chapa precisa ser traduzido para o dialeto do comando. São quatro etapas, e o G-code que a máquina lê só nasce na última.
Vamos seguir o caminho com o Promob, que é o mais usado no Brasil. Dinabox, MobCloud, CorteCloud, Rhex, TopSolid e WPS fazem o mesmo percurso com nomes próprios.
Etapa 1: o projeto
O projetista monta a cozinha no Promob Plus ou no Promob Start, com módulos parametrizados. Cada módulo já sabe de que peças é feito: lateral, topo, base, fundo, porta, frente de gaveta. Daqui saem o desenho para o cliente, o orçamento e a lista de peças com medida, material e fita de borda por face.
O que não sai daqui é furação nem programa. O Plus sozinho gera lista e desenho. Quem compra a router achando que o Promob que já tem vai programar a máquina descobre a diferença no dia da instalação, e o artigo sobre infraestrutura para instalar a router coloca a licença dos módulos na lista de preparação por esse motivo.
Etapa 2: a engenharia da peça
O Builder é o módulo que transforma a lista em peça de fábrica. Ele aplica a cada peça a furação de dobradiça, de cavilha e de conector, o rebaixo do fundo, a fita de borda e as folgas de montagem, seguindo regras que a fábrica cadastra uma vez.
Duas ideias sustentam essa etapa. A macro de usinagem: a furação de dobradiça é sempre o mesmo padrão, um furo de 35 mm com 12 a 13 mm de profundidade e dois furos de 8 mm para os parafusos a uma distância fixa, e a macro guarda esse padrão e recebe só a posição de cada dobradiça na porta. E a parametrização: a dobradiça fica a 100 mm de cada extremidade e mais uma a cada 600 mm, a corrediça a 37 mm da frente. Muda a altura da porta no projeto, e as usinagens se reposicionam sozinhas.
É o que faz o centro de usinagem valer: a máquina recebe centenas de peças diferentes por dia porque cada uma nasceu de uma regra, não de um desenho manual. E é também o risco: regra errada erra em série. A primeira chapa de um cadastro novo vai para a mesa de montagem antes do lote.
Etapa 3: o plano de corte
O Cut Pro pega as peças e monta o plano de corte: o otimizador arruma as peças nas chapas para sobrar o mínimo de retalho, respeitando o sentido do veio e a distância entre peças, e gera o nesting para o router com o contorno, a furação e a ordem de corte de cada chapa.
Os parâmetros que o operador cadastra são poucos e decisivos:
Distância entre peças: o diâmetro da fresa mais folga. Folga grande demais é onde mais se perde aproveitamento sem perceber.
Borda da chapa que não se usa.
Tamanho mínimo de sobra que a fábrica reaproveita de verdade. O otimizador mostra 90% na tela contando a sobra em faixa como aproveitada. Se ninguém guarda retalho, o número é fictício.
Ordem de corte: peça pequena por último, com a chapa inteira ainda vedando o vácuo. É a regra que mais evita peça voando.
Daqui saem também as etiquetas, que ligam cada peça ao pedido e à furação que ela vai receber depois, na furadeira ou na coladeira.
O plano de corte que o otimizador montou vira o programa da chapa inteira: contorno, furação e ordem de corte numa fixação só.
Etapa 4: o pós-processador
O CAM sabe geometria: onde a fresa passa, a que profundidade, em que velocidade. Não sabe como o comando escreve isso. O pós-processador, que no Promob se chama plugin de máquina, é o tradutor: pega o percurso genérico e escreve o G-code com a sintaxe, os códigos e a ordem que o comando Syntec entende.
Ele coloca também o que a máquina específica precisa: a troca de ferramenta com T antes do M6 e o G43 depois, a posição do magazine em G53, o acionamento do vácuo e do coletor por código M, o sopro de ar na troca, a subida do Z ao topo antes de qualquer movimento. O artigo sobre os principais códigos G e M mostra como fica um cabeçalho típico.
Nos centros de usinagem Etools o pós vem configurado na instalação para o software que a fábrica usa, e é testado com uma chapa antes de a equipe ir embora. Quando algo muda na máquina depois, uma esteira nova, um agregado, outra posição de probe, é o pós que se ajusta, não os programas. Pós desatualizado é a origem de colisão em programa "que sempre funcionou": a máquina mudou, o tradutor não.
Etapa 5: na máquina
O programa chega ao comando pela rede ou pelo pen drive. O operador encosta a chapa nos pinos do esquadro pneumático, e o zero peça está feito: a chapa inteira sempre começa no mesmo canto, e é por isso que o nesting roda sem medir nada. As ferramentas já foram medidas pelo probe e estão na tabela do comando. Ele chama o programa, liga os setores de vácuo debaixo da chapa e dá partida.
Quando a chapa termina, as peças saem etiquetadas, e a etiqueta é o que leva cada peça para a etapa seguinte: a coladeira, a furadeira de topo, a montagem. O mesmo projeto alimenta essas máquinas, em formatos como XML, MPR ou BAN.
Onde a cadeia quebra
Cinco pontos concentram quase todos os chamados de "a máquina está errada" em instalação nova. Nenhum deles é mecânico.
Espessura da chapa no cadastro. A macro de dobradiça com 13 mm de profundidade é para chapa de 18 mm. Em chapa de 15 mm ela deixa 2 mm e a face marca ou vara. Macro sabe geometria, não sabe a chapa: a espessura real precisa ser variável do cadastro, não número escondido na regra.
Ferramenta sem correspondência. O programa pede uma broca de 8 mm com um nome, e a máquina tem a mesma broca com outro. O leitor abre o arquivo e a máquina recusa. A regra é não renomear ferramenta de um lado sem o outro.
Pós-processador desatualizado. Máquina mudou, tradutor não. Colisão no magazine, Z mergulhando fundo demais, ferramenta que não troca. Antes de abrir chamado, gere o mesmo programa com o pós de referência e compare.
DXF de terceiros. Desenho que vem de fora, de arquiteto ou de outro software, chega como DXF, e o CAM só aplica a operação se o nome da camada estiver na tabela de correspondência. Contorno aberto, linha duplicada, escala em polegada e camada fora do padrão são a meia hora de limpeza que o padrão de camadas reduz a zero.
Medida líquida e medida de corte. Quando a lista vem do ERP, a medida final da peça inclui a fita; o corte precisa da medida sem a fita. Se o arquivo manda a errada, toda peça sai maior ou menor pela espessura da fita.
Os cinco têm a mesma característica: o problema está num cadastro, e o sintoma aparece na peça. Por isso, quando a peça sai errada e o desenho está certo, o caminho é voltar etapa por etapa, do comando ao projeto, e não refazer o projeto.
O que a Etools configura na instalação
O pós-processador para o software da fábrica, o cadastro de ferramentas alinhado entre o software e o comando, o probe cadastrando cada fresa, e a chapa de teste que prova que a cadeia inteira funciona antes de a equipe ir embora. O que fica com a fábrica é o cadastro de engenharia: espessura real da chapa, folga da fita, posição das ferragens. Um erro ali sai em todas as peças, e ninguém conhece esses números melhor que a própria marcenaria.
Qual máquina Etools entra aqui
Todas as routers e centros de usinagem da Etools usam comando Syntec e recebem programa do Promob, do Dinabox, do MobCloud e dos demais, em G-code, sem licença extra da Etools. Da Start Full, que roda o nesting com duas ferramentas montadas, à Start ATC 10, à Linha Max e à New Pro 16, com magazine e probe. Na Linha Nesting a etiquetadora imprime a etiqueta que o plano de corte gerou, e a peça já sai identificada da esteira.
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Perguntas frequentes
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Sozinho, não. O Plus e o Start geram o desenho e a lista de peças. A furação vem do Builder, o plano de corte e o nesting vêm do Cut Pro, e o G-code sai do plugin de máquina, que é o pós-processador para o comando da sua router. Vale saber antes da máquina quais módulos a fábrica vai precisar.
É o pós-processador: o tradutor que pega o plano de corte e escreve o G-code no dialeto do comando, com a troca de ferramenta, a posição do magazine, o acionamento do vácuo e a subida do Z na ordem que aquela máquina espera. Nos centros Etools ele vem configurado na instalação e é testado com uma chapa.
Não. Ninguém programa router digitando G-code; o programa nasce no software de projeto e passa pelo pós-processador. Saber ler um programa ajuda para outra coisa: quando a peça sai errada e o desenho está certo, abrir o arquivo e conferir uma coordenada é mais rápido que refazer o projeto.
Aceita. O comando Syntec lê G-code, e Promob, Dinabox, MobCloud, CorteCloud, Rhex, TopSolid e WPS geram o programa nesse formato, com o pós-processador configurado na instalação. Não há licença extra da Etools para isso.
Quase sempre é cadastro. A macro de dobradiça tem profundidade para uma espessura de chapa; se a chapa real é outra e a espessura não é variável do cadastro, o furo sai raso ou vara. As outras causas são a ferramenta trocada sem passar pelo probe e pó acumulado sobre o sensor do probe.
Não direto. O arquivo abre, mas a troca de ferramenta, a compensação e o cabeçalho são de outro comando, e o resultado vai de alarme a colisão. Reprocesse no software com o pós-processador da máquina nova: o desenho é o mesmo, o programa não.